Isabel Castro protagonizou uma noite de fados no dia 23 de outubro, que teve lugar no restaurante Dom Augusto, em Braga. A fadista da “cidade dos Arcebispos”, que atua desde 2008 como Isa de Castro, interpretou no concerto alguns temas popularizados por Amália Rodrigues, uma das suas grandes inspirações musicais.

A fadista bracarense partilhou com o ComUM a sua ligação ao fado. Para além disso, refletiu sobre a sua carreira musical.

ComUM – Como descobriu o fado?

Isa de Castro (IC) – O fado sempre fez parte da minha vida. A minha mãe é fadista e foi, durante muitos anos, uma das melhores da cidade de Braga (claro que, para mim, a melhor). Lá em casa faziam-se saraus onde se cantava o fado e eu cresci nesse ambiente.

ComUM – Em que momento da sua vida a música tornou-se algo mais sério?

IC – Como já ouvia a minha mãe cantar desde menina, decidi também cantar, embora inicialmente retirada dos olhares do público e de uma forma informal. Só mais tarde é que abracei o fado e comecei a cantar em público, aos 25 anos. Desde então, a música faz parte do meu dia a dia de forma profissional.

ComUM – Nasceu e cresceu em Braga, longe do berço fadístico que é Lisboa. A norte o fado tem a mesma intensidade?

IC – Quando comecei a cantar, surgiram alguns convites para atuar em casas no Porto, com mais tradição de fado. No caso de Braga, apesar de não haver uma tradição muito forte, como em Lisboa ou no Porto, sempre houve fado. Desde que se tornou Património Imaterial da Humanidade [da UNESCO], há mais músicos, fadistas e casas onde se canta o fado na cidade. Por isso, acredito que o fado, em qualquer lugar e em determinados corações, se vive de uma forma intensa como nos sítios onde há mais tradição.

ComUM – O que é que a inspira no fado?

IC – Os valores tradicionais são os que mais me influenciam, bem como as vozes das fadistas mais famosas do tempo áureo do fado: Amália Rodrigues, Fernanda Maria, Ada de Castro. Gosto também de ouvir Carlos Ramos, uma daquelas vozes que toda a gente reconhece num disco ou numa gravação da rádio. É ao fado mais tradicional que sou fiel e, sem dúvida, é aquele que me cativou e que mais me inspira. Sinto-me quase uma continuadora dele.

ComUM – E na música em geral?

IC – Atualmente, estou mais focada no fado, mas gosto de todo o tipo de música desde que tenha qualidade. Contudo, não estou muito ao corrente da pop atual, uma vez que os meus interesses continuam a ser as grandes vozes e bandas dos anos ’80 e ’90.

ComUM – Como vê a nova fusão do fado a outros estilos musicais?

IC – Acho que é salutar adicionar novas características e influências ao fado desde que estejam sempre presentes o estilo e as características próprias do género. O fado é, por si só, uma coleção de estilos, desde a música árabe à música de África e do Brasil. No fundo, esta miscelânea faz a sonoridade do fado, portanto não vejo porque não adicionar outros géneros ao fado desde que tal seja feito com bom gosto.

ComUM – Destes 12 anos de carreira que já leva, que momentos destaca?

IC – Quando canto o fado entrego-me totalmente, portanto encaro todos os meus espetáculos com o mesmo sentido de responsabilidade. Na verdade, há alguns acontecimentos que me marcaram mais, como alguns concursos que venci em Braga, espetáculos com nomes sonantes do fado e algumas noites em casas do Porto. A propósito, fui fadista residente nas “Janelas do Fado”, uma casa de fados portuense que só me deixa boas memórias. Alguns artistas consagrados de Lisboa visitavam a casa por contrato ou somente por amizade e vontade de a conhecer. Lá faziam-se noites mágicas de fado que me enriqueceram e que guardo com muito carinho.

ComUM – Tem projetos futuros?

IC – Sim. O meu futuro profissional passa, sem dúvida, por gravar um trabalho discográfico e cantar, cantar muito, sempre com a esperança de que tudo isto vai passar e que, o mais breve possível, vamos voltar a ver sorrisos.