A Maldição de Bly Manor estreou na Netflix em outubro. A série pertencente à antologia A Madilção (2018 – ) é mais um trabalho cinematográfico que vem provar que o terror também pode ser subtil.
A série retrata uma história que é contada, num casamento, por uma convidada que aparenta ser indesejada. Esta relata acontecimentos da vida de uma jovem governanta (Dani) que é contratada por um homem (Henry Wingrave) para cuidar da sua sobrinha e sobrinho na casa de campo da família depois de estes caírem sob os seus cuidados. Ao chegar à propriedade de Bly, começa a ver aparições que continuamente assombram o local.
A Maldição de Bly Manor, pertence à antologia A Maldição (2018 – ), juntamente com A Maldição de Hill House (2018). Em termos de direção, performance e edição, a obra cinematográfica mantém as expectativas da anterior. Quanto ao enredo da narrativa, é mais calmo, em termos de terror, o que pode constituir um “entrave” para a audiência que procura o medo. Ao contrário de A Maldição de Hill House (2018) foca-se em contar uma história mais suave e com elementos de terror mais subtis.
Em termos de teatralidade e performance, os papéis foram incrivelmente bem representados, incluindo os infantis. Foi transmitida com fluidez e transparência os caráteres das personagens e encaradas com profissionalidade todas as cenas da série. É de destacar os atores: Victoria Pedretti (“Dani” Clayton), Oliver Jackson-Cohen (Peter Quint), Henry Thomas (Henry Wingrave), Amelie Bea Smith (Flora Wingrave), Benjamin Evan Ainsworth (Miles Wingrave) e Tahirah Sharif (Rebecca Jessel)
A banda sonora orquestral da série é extremamente versátil e nota-se que foi composta por artistas experientes como os irmãos Newton (cujos trabalhos anteriores incluem Doutor Sono (2019) e Ouija: Origem do Mal (2016)). Por vezes mágica e alegre, outras vezes aterradora e cheia de suspense, a banda sonora mantém o espectador na ponta do teu assento à espera do próximo momento assustador. É definitivamente um dos pontos mais fortes da série.
O argumento é bastante sólido e os escritores juntamente com os diretores usam “truques” bastante inteligentes para criar uma atmosfera pesada, quase como se, a cada canto da mansão existisse uma nova assombração. Silhuetas são escondidas no fundo das cenas ao longo da temporada, passando despercebidas. Visto que, o espetador está tão focado no enredo e nas interações entre personagens que nem repara nestas. Tudo culmina num clímax em que todas as peças da história, que nos é contada fragmentada, encaixam e completam um puzzle complexo e estranhamente lindo.
Tal como o seu antecessor, A Maldição de Bly Manor apresenta elementos técnicos, como cinematografia e efeitos especiais impressionantes. Esta temporada foi criada com tanto cuidado e imaginação quanto a primeira. Estes pormenores são visíveis na encenação, enquadramento das cenas e transições. O espaço físico que as personagens habitam e maneira como é transmitido para os nossos ecrãs é tão, ou até mais detalhado que a história que se desenvolve nele.
A Maldição de Bly Manor é, assim, uma boa série de terror. Esta é principalmente aconselhável para quem está a iniciar a sua jornada neste género cinematográfico.
Título Original: The Hauting of Bly Manor
Realização: Ciarán Foy, Liam Gavin
Argumento: Mike Flanagan
Elenco: Victoria Pedretti, Oliver Jackson-Cohen, Henry Thomas
EUA
2020




