A falta do convívio noturno entre estudantes tem gerado problemas aos proprietários.

Desde o início da pandemia, os bares foram obrigados a alterar horários. Desde o dia 4 de novembro, os bares estão obrigados a encerrar às 22h30 durante a semana, como medida decretada pelo Governo para evitar ajuntamentos junto aos estabelecimentos. Numa zona que vive, sobretudo, dos estudantes e do consumo de álcool, o período da noite é a principal fonte de negócio.

“Tivemos uma redução de 70% de faturação no período da noite desde março”, diz Mário Abreu, proprietário de um dos bares do largo. O mesmo revela à RUM que teve de acabar com as noites académicas à quarta-feira, que eram um rendimento indispensável para as contas no final do mês. Assim, o comerciante discorda da decisão do Governo, visto que muitos dos estudantes ainda se reúnem em casa para conviver após o encerramento dos bares.

“Vendia mil litros de cerveja por semana, agora vendo o mesmo num mês”, sublinha Mário Abreu. Em nove meses despediu três funcionários. “Estavam a recibos verdes e não podia fazer contratos. Não tinha condições porque já sabia o que ia acontecer em novembro e dezembro”, acrescenta.

Também Marina Vieira, proprietária do bar da frente, admite que a pandemia obrigou à dispensa de três funcionários, antecipando o pedido de insolvência. “Já temos take-away de comida, mas nesta zona de estudantes não é fácil. Cada vez são menos os que têm aulas presenciais”. Apesar das dificuldades e da falta de uma solução para as combater, a proprietária diz entender a posição do Governo. “Não queria estar na pele deles, e não sei o que poderia fazer diferente”.