As tintas desenvolvidas pelo projeto têm propriedades únicas e exclusivas que são difíceis de copiar ou de clonar, pelo que podem ser usadas como marcadores de anti contrafação ou como impressões de segurança.

Tatiana Aguiar, investigadora no Centro de Engenharia Biológica (CEB) da Universidade do Minho, encontra-se a desenvolver o projeto EcoBioInks4SmartTextiles. O objetivo é produzir tintas florescentes com propriedades inteligentes que possam ser modeladas e controladas através de estímulos de luz externos. Estas tintas podem ser aplicadas em têxteis com o objetivo de combater a contrafação. ​

A investigadora, em conversa com o ComUM, explica que o projeto foi uma ideia que teve juntamente com o companheiro. “Ao pensar em outras áreas que tinham desafios diferentes dos nossos, começamos a pensar o que é que podíamos desenvolver dentro da nossa área”, admite. “Pensamos que este tema podia ser interessante e que pudesse chamar à atenção”.

Estas tintas são baseadas em moléculas que são obtidas por via biotecnológica a partir de microrganismos. Ao contrário de outras tintas florescentes que tradicionalmente são criadas a partir de moléculas obtidas por síntese química de derivados de petróleo. “Normalmente, quando se usam estas biomoléculas diretamente, a estabilidade delas pode não ser muito grande e tal pode ser um problema. Um dos objetivos é conseguir fazer o encapsulamento delas em diferentes matrizes numa perspetiva de sustentabilidade, na atual tendência da economia circular, proteger o ambiente e não depender tanto dos recursos naturais”, expõe Tatiana Aguiar.

O papel do CEB neste projeto está relacionado com a produção biotecnológica destas moléculas, e com a realização de testes de encapsulação.  Para além do CEB, o projeto conta com a participação do CeNTI (Centro de Nanotecnologia e Materiais Técnicos, Funcionais e Inteligentes), sediado em Famalicão, onde está a ser testada a aplicação destas moléculas em têxteis para avaliar a sua estabilidade a longo prazo, no sentido de desenvolver um protótipo funcional desta tecnologia.

O projeto EcoBioInks4SmartTextiles já se encontra próximo do final e, por conseguinte, próximo da aplicação. “Ainda é prematuro pensar já nas expetativas do futuro do o projeto, porque ainda estamos em fase de investigação”, relata a investigadora. Tatiana Aguiar revelou, ainda, que já está em curso um processo de pedido prévio de patente visando no futuro próximo a comercialização desta tecnologia que pode combater a contrafação.