A banda portuguesa de rock alternativo nasceu em 2016 em Braga e já tem um ano de canal no Youtube. Os Peluche lançaram o último single esta sexta-feira e estiveram à conversa com o ComUM sobre o percurso do projeto.

ComUM: Como é que esta ideia de formar uma banda surgiu?

José Rios: Eu comecei o projeto com o Afonso. Tínhamos cerca de 15 anos e andávamos no 9º ano. Ele recebeu a bateria no Natal e no dia a seguir, estava lá eu para tocarmos. A ideia surgiu então daqui, embora tenha mudado muito, entretanto. Começamos por tocar covers e mais tarde vieram os originais.

ComUM: A banda surgiu oficialmente em 2016 com o nome “Plush” e em 2019 trocaram para “Peluche”. Houve alguma razão especial para esta troca?

Afonso Costeira: Sim. A banda chamava-se “Plush” (termo em inglês). Mas, toda a gente, por alguma razão, nos chamava “Plúsh” (de maneira “aportuguesada”). Então, nós achamos que até soaria melhor e mudamos efetivamente para “Peluche”.

ComUM: Desde o single “Contramina” (8 de agosto de 2019) ao “Mago elétrico” (20 de março de 2020), que diferenças é que sentiram na banda e nas vossas produções?

Paulo Fontes: Quando gravamos a “Contramina” éramos, sem dúvida, mais inexperientes. Foi a primeira vez que fomos a um estúdio gravar e consequentemente houve mais problemas. As outras músicas tiveram um song-writing mais complexo até porque agora o nosso line-up é construído por pessoas que se conhecem mesmo como amigos. Isto faz com que as músicas saiam mais facilmente e as ideias fluam melhor. Agora, quando vamos para estúdio, conseguimos realizar melhor a ideia que temos. Da mesma forma que quando temos uma ideia na cabeça, conseguimos passá-la para a música de uma maneira mais natural.

ComUM: O novo single chama-se “Figurante” e conta com a participação de Adolfo Luxúria da banda Mão Morta. Como foi a experiência de partilhar o estúdio com um membro de uma banda que se demarca pelo rock avant-garde?

Diogo Costa: Foi uma boa experiência. Eu nem estava à espera que acontecesse, mas é sempre bom termos uma figura tão importante connosco.

José Rios: Já há algum tempo que sou fã dos Mão Morta e há muitos anos que ouço o trabalho do Adolfo, não só com os Mão Morta. Este desejo já vinha de trás e finalmente conseguimos concretizá-lo.

Paulo Fontes: Ele mostrou-nos como ser um verdadeiro profissional. Quando ele chegou ao estúdio, já sabia o que fazer e em que partes entrava. Em 20 minutos fez um in and out e deixou o trabalho feito.

ComUM: Com mais de um ano de presença no Youtube, sentem que, entretanto, conseguiram concretizar os vossos objetivos ou a pandemia veio adiar algumas das vossas metas?

Afonso Costeira: De certa forma, as expectativas não foram cumpridas, até porque eram coisas como estar nos melhores festivais do país. Mesmo que nunca possa ser cumprida, temos de apontar sempre o mais alto possível. A pandemia veio estragar os planos porque não há festivais nem se pode tocar ao vivo. No entanto, alguns objetivos foram cumpridos e as músicas foram saindo. A opinião geral é boa e temos bom feedback. Pessoalmente, não poder tocar ao vivo e não poder sentir o calor do público é sempre complicado.

José Rios: Não vai ser só durante a pandemia que isto vai ser difícil. Quando isto passar, os bares onde tocávamos já vão estar fechados. Vai ser complicado para as bandas emergentes terem um sítio onde tocar ao vivo.

Paulo Fontes: Exatamente, vai ser difícil. Não vejo muita ajuda nem atenção a ser dada a este tipo de bandas mais pequenas.

ComUM: Para finalizar, quais são os desafios de fazer parte de uma banda de rock alternativo em Portugal?

Diogo Costa: É não ser devidamente reconhecido.

Paulo Fontes: É difícil ser destacado.

José Rios: Não há grande público em Portugal para coisas diferentes. Tanto que não há assim muitas bandas ou nomes conhecidos que façam coisas fora da caixa.