A paciente silenciosa foi o primeiro livro publicado por Alex Michaelides, a 5 de fevereiro de 2019. O argumentista e escritor britânico desenvolve, ao longo de 336 páginas, com muita mestria, um intrigante thriller psicológico. Composto por capítulos curtos, tem uma escrita corrente e fluida, no entanto, um enredo sofisticado, que imprime nos leitores uma tensão permanente.

O livro descreve um crime bárbaro alegadamente cometido por Alicia Berenson. A protagonista é acusada de ter morto o marido com cinco tiros no rosto, desfigurando-o, sem razão aparente. Ela pintora, ele fotógrafo, mostravam ser um casal comum, com uma boa relação.

A paciente silenciosa, assim como o título indica, trata um personagem que permanece em silêncio. Alicia não profere uma palavra desde do dia em que foi encontrada na cena do crime. Indiciada pelo mesmo, e por ter sido considerada incapaz de responder pelos seus atos, foi internada num hospital psiquiátrico.

Alex Michailides A paciente silenciosa

Andrew Hayes-Watkins/Athens Insider

É assim que conhecemos Theo Faber, psicanalista forense hábil e com uma vida estável, que não fica indiferente ao caso. Impressionado com a pintura “ALCESTE”, da autoria de Alicia, acredita haver um significado nas cores, texturas e formas. Quando surge uma vaga no hospital em que a pintora está, ele decide tentar desvendar a incógnita por trás da mudez da mulher.

Por termos uma personagem que não se expressa verbalmente, e consequentemente não usufruímos da perspetiva da mesma, o autor intercala com os capítulos passagens do diário dela, que nos dão informações pertinentes sobre o ocorrido na época.  Acompanhamos assim a jornada do psicanalista, as suas anotações e os seus devaneios com os breves anexos do diário.

É inegavelmente emocionante percorrer todas as análises feitas, as teorias e suposições que vão sendo ao longo do enredo propostas. O livro captura a nossa atenção e não temos nenhuma certeza, quer do agente do crime ou da fidelidade das informações que nos são apresentadas, até às últimas páginas, onde nos depararmos com o inesperado final.

A criação ousada de um romance que parte da premissa onde a protagonista não se expressa de forma verbal, não é tarefa simples. No entanto, com A paciente silenciosa, foi muito bem conseguida. Temáticas como o homicídio, as dificuldades nas relações interpessoais e os transtornos mentais são, no meu parecer, abordadas com a senilidade necessária.