A iniciativa moderada por Carolina Pereira e Beatriz Pinto contou com a presença dos engenheiros Jorge Gonçalo e João Batista.

O Núcleo de Estudantes de Engenharia Têxtil da Universidade do Minho organizou esta quarta-feira uma conversa com dois engenheiros para desmitificar algumas questões relacionadas com a indústria têxtil. Com vários desafios que a indústria têxtil se debate atualmente, as questões apresentadas foram ao encontro da nova realidade. Foram abordadas questões a nível ecológicos e os desafios para que a indústria seja mais sustentável como a pandemia e o impacto sentido.

No ramo da sustentabilidade, os engenheiros consideram que apesar de algumas mudanças, a realidade é ainda muito difícil de alterar, uma vez que o preço é ainda muito elevado quando comparado com outros materiais. “Enquanto for o cliente a fazer a escolha, na balança vai sempre pesar o custo”, admite Jorge Gonçalo. Para esta barreira ser ultrapassar é necessário criar leis para a regulação do mercado.

Em relação à política de Zero Defeitos na produção têxtil os engenheiros concordaram que é uma melhoria “com questões de eficiência, redução de desperdícios, de eliminação de defeitos”.  Acrescentam que são muito importantes para que as indústrias adotem uma estratégia de zero defeitos a seguir.

Os desafios que têm de enfrentar nas empresas onde trabalham são vários, mas há duas questões salientadas. O equilíbrio, muito importante, mas também muito difícil como refere Jorge Gonçalo. “O grande desafio é encontrar o equilíbrio, o balanço entre todas estas características e a funcionalidade para a aplicação e a performance”. Ou seja, “balancear isto tudo e ter como objetivo final um preço competitivo porque temos também os nossos concorrentes”. Contudo, considera também que o desafio desperta o gosto pelo têxtil.

Para João Batista, o desafio prende-se com a técnica. É necessário “estar um passo à frente da concorrência e a concorrência está sempre muito próxima”. Têm de inovar “às vezes com os nossos produtos normais, mas descobrir outras aplicações”.

Esta questão de se reinventar está muito relacionada com as alterações que a indústria têxtil automóvel tem sofrido e vai continuar a sofrer ao longo dos anos. No entanto, é preciso ter em consideração que o têxtil não está relacionado apenas com os automóveis e sabem que a engenharia  tem oportunidades de trabalho para os engenheiros que se irão formar.

Jorge Gonçalo é licenciado em Engenharia Eletrotécnica pela Universidade de Coimbra e tirou o curso de mecânica e eletricidade auto na Escola Militar de Eletromecânica em Lisboa. Ingressou no mercado de trabalho na Philips onde esteve até 2003 mudando-se para a Bosch como líder do grupo de engenharia. Sempre com o objetivo de trabalhar em Automotive, teve a oportunidade de ingressar na área têxtil numa empresa sueca, a Borgsentea. Atualmente trabalha na COPO, uma empresa espanhola com vários anos de atividade onde é gestor de projetos.

João Batista acabou o curso em 2000 sendo que o têxtil apareceu na sua vida de uma forma natural. O seu percurso teve sempre ligado à Continental onde estagiou e mais tarde imigrou para o centro de pesquisa e desenvolvimento da empresa. Voltou a Portugal onde foi responsável pela criação do departamento técnico e atualmente é diretor de produção.