Society Loving the Planet Minho pretende propagar a sustentabilidade através da promoção de boas práticas ambientais. Sendo, esta terça-feira, o Dia da Consciência Ecológica, o ComUM esteve à conversa com a organização juvenil.

A necessidade de uma organização ambiental focada em arranjar soluções aplicáveis ao quotidiano, principalmente de estudantes universitários, é a raíz da Society Loving The Planet Minho. A mesma surgiu em maio de 2020. Visando a exaltação do dia 22 de dezembro, também Dia da Consciência Ambiental, o ComUM falou com Miguel Lopes, fundador e presidente da respetiva iniciativa, e Inês Freitas, membro do Departamento de Marketing e Comunicação.

Inês e Miguel

O Loving The Planet é uma Organização não Governamental (ONG) cujo objetivo é a sensibilização para a luta pela sustentabilidade e à qual Miguel Lopes já pertencia. Admite que na academia minhota “não havia quase nenhuma oferta a nível ambiental” e que, aquela que existia, “era muito de emergência e focava-se demasiado nos problemas”. Miguel preferia “um projeto que falasse mais nas soluções”.

O representante revela ainda que se sentia “inspirado pela universidade” devido às campanhas que a mesma organizava, à grande quantidade de espaços verdes e às escolhas mais sustentáveis, mas, mesmo assim, sentia-se “pouco representado”. Afirma, então, que “a Society surgiu porque havia necessidade, vontade e gente boa para fazer essa vontade prosseguir”.

Society LTP Minho

A iniciativa rege-se pela procura de soluções que sejam fazíveis por universitários, tendo sempre em conta as questões monetárias, pois as alternativas mais sustentáveis são, muitas vezes, as mais caras. Inês Freitas diz que tentam apresentá-las “da maneira mais fácil e mais verídica”, buscando “sempre incluir a fonte das informações” que apresentam e fazendo “a triagem do melhor conteúdo”.

No que toca aos maiores desafios no alcance da sustentabilidade, Inês crê que o maior problema é “as pessoas acharem que os seus atos são muito pequenos”. Frisa a necessidade da adoção de atitudes sustentáveis como a simples recusa em “deitar um copo ou uma beata para o chão”. Miguel concorda, acrescentando que “as pessoas não têm noção do impacto que podem ter”. Exemplifica com o caso da redução da pegada ecológica, que depende de todos e que ainda é muito elevada em Portugal.

Inês e Miguel confiam igualmente que a replicação em massa de um gesto pode fazer a diferença. É, por isso, que ambos os membros acreditam que o Dia da Consciência Ambiental é “importante” e têm “esperança que, através da data, consigam fazer as pessoas perceber o poder que têm nas suas mãos”. Enfatizando que a Society não tem um impacto imediato a grande escala, indicam ainda que “pessoas mais informadas tomam decisões mais conscientes”.

“Temos de começar a agir”, declara Miguel Lopes, proclamando o slogan do projeto, uma citação de Yann Arthus-Bertrand, ambientalista francês, “É tarde demais para ser pessimista”. Ao mesmo tempo, Inês Freitas sublinha algumas das atitudes que tem enquanto ambientalista: “Eu ando de transportes públicos, compro a granel e não como carne”.

Além disso e, numa visão mais alargada a nível empresarial, é ainda mencionada por Miguel a “importância da penalização a todo aquele que, por qualquer motivo, cometa ecocídio”. Defende, contudo, a aplicação das sanções de forma direta ao responsável pelo crime ambiental, e não à empresa como órgão conjunto.

A pandemia que se vive atualmente, teve também um grande impacto ambiental, que se tem mostrado, de acordo com as palavras de Miguel Lopes, “agridoce”. No início, as emissões reduziram e as pessoas pareciam mais preocupadas com o ambiente. Todavia, a Covid-19 tornou-se “o problema número um” e muitos projetos a nível ambiental “foram e serão adiados”.

Tendo em conta o seu público maioritariamente jovem, é através dos meios digitais que a Society marca presença. A organização juvenil tem ainda planeadas, no futuro breve, diversas atividades e workshops para a comunidade académica, em articulação com os SASUM e os diversos núcleos de alunos.

Artigo por: Francisco Paiva e Raquel Rodrigues