Apesar do Ministério da Administração Interna concluir "não haver indícios da prática de qualquer infração disciplinar” por parte dos guardas da GNR na serra da Agrela, o veterinário municipal de Santo Tirso poderá não ficar ilibado de responsabilidades.

No passado mês de julho, um incêndio na serra da Agrela, em Santo Tirso, atingiu dois abrigos de animais, deixando mais de meia centena de cães e gatos carbonizados. Imediatamente, foi criada uma petição onde se exigia justiça pelos animais. A medida deveu-se à tentativa de afastamento da população em auxílio, por parte da Guarda Nacional Republicana (GNR) e da proprietária do terreno.

“Venho por este meio pedir justiça por maus tratos a animais do canil Cantinho Quatro Patas na Serra da Agrela em Santo Tirso, que foi consumido pelas chamas esta madrugada, em que tiveram lá Agentes da GNR e a Proprietária do Terreno, que impediram o salvamento dos animais, negando auxílio enquanto ainda se podiam salvar os animais”, pode ler-se na petição, que angariou na sua totalidade 185.461 assinaturas.

Perante as acusações da população que acudiu ao incêndio e, inclusive, de membros do PAN (Partido Pessoas-Animais-Natureza), a guarda alegou, no seu Facebook, que, “enquanto o incêndio deflagrava, ainda durante a tarde, a ação da GNR foi essencial para permitir que tivessem sido resgatados, com vida, a maior parte dos cães”. Segundo o Jornal de Notícias, o Ministério da Administração Interna (MAI) concluiu agora “não haver indícios da prática de qualquer infração disciplinar por parte dos guardas da GNR e dos agentes da Proteção Civil no incêndio na serra da Agrela”.

De qualquer das formas, Eduardo Cabrita, ministro responsável pelo inquérito, determinou “o envio do relatório final da Inspeção-Geral da Administração Interna (IGAI) às ministras da Modernização do Estado e da Administração Pública, Alexandra Leitão, e da Agricultura, Maria do Céu Antunes, a fim de equacionarem a necessidade de identificação de eventuais responsabilidades do veterinário municipal no incêndio”.

Relativamente ainda ao veterinário municipal, após o incêndio, a Câmara de Santo Tirso abriu, também, um processo disciplinar contra o profissional e suspendeu as suas funções. No entanto, o resultado do inquérito é ainda desconhecido. Relembre-se que, após ser informado da situação, o veterinário não considerou a situação urgente, indo ao local apenas no dia seguinte.