A emoção de usufruir de diferentes gerações da música portuguesa marcou a noite.

A emblemática sala do Theatro Circo escureceu, esta quarta-feira à noite, para receber o grupo Ocenpsiea e o cantor Jorge Palma. Ambos compuseram o cartaz daquele que foi o primeiro dia da 17.º edição do Festival Para Gente Sentada.

Quatro jovens subiram ao palco para dedilhar sonoridades singulares que navegavam do hip hop ao jazz. Nessas sonâncias alternativas, o corpo dos artistas bracarenses oscilava conforme a pauta do piano, da mesa de som, da guitarra e da bateria. Desta forma, representaram “Referências”, uma espécie de thriller que não mete medo, mas que questiona se se quer passar o tempo todo sentados.

Seguiu-se “Tens fome?”, uma música do próximo álbum e, assim sendo, uma estreia em público. “Vocês são uns sortudos, não sei se merecem”, gracejou o baterista. As luzes do palco situavam-se no espectro entre o verde e o azul e faziam lembrar áureas boreais. A acústica era também algo celestial.

Trocando olhares entre si e em sintonia evidente, Ocenpsiea tocaram “Ocenpsiea Swag”. “Chama-se assim porque nós temos swag, temos estilo”, brincou, novamente, o baterista. Como se carregassem em teclas de um videojogo, a encriptação do som era marcante.

“Tocar para vocês é o que mais gostamos de fazer”. Fazendo jus à afirmação, a banda representou “Quadro Elétrico” para encerrar a sua atuação. Ecoou pela sala um som parecido a jazz que, a meio, foi interrompido por um solo de bateria que não deixava ninguém estar de braços cruzados.

Havia chegado a vez de Jorge Palma. “Frágil”, uma das músicas mais icónicas do cantor português, abriu o seu tempo de antena. Ao piano, marcava o ritmo batendo com o pé e seduzia com uma voz nada frágil. Fez também questão de agradecer, desde início, a presença do público. “Nos tempos que correm, ter um concerto com público é um luxo, tem um valor extraordinário e, de facto, vocês estão aí”, sublinhou

A plateia bracarense aplaudia, rejubilava e assobiava. Nem a máscara escondia a emoção do público. A gentileza da composição “Jeremias, o Fora da Lei” e a melancolia da peça “Só” acentuavam o romantismo da música portuguesa.

Admitindo ter escrito primeiro em inglês, Jorge Palma acendeu a “Dá-me lume”, ateando uma melodia alegre à plateia. “Encosta-te a Mim” foi a chave de ouro do concerto, pois, enquanto houver estrada para andar, esta é uma música que ainda vai percorrer muitos quilómetros.

A primeira noite do Festival Para Gente Sentada foi um concerto forte e acolhedor. Esta quinta-feira é o segundo dia do festival, com encontro marcado com Benjamim e Surma.