Foi com o romance Um Estudo em Vermelho, que Sir Arthur Conan Doyle iniciou a sua carreira literária. O livro, lançado em 1888, iniciou aquela que viria a ser uma das mais famosas séries de livros mundiais, dedicadas a Sherlock Holmes, um detetive mundialmente conhecido e o seu parceiro, John Watson.

A obra inicia-se com a apresentação de John Watson, um médico militar, formado em Londres. John é atingido por uma bala e, por causa disso, é removido da sua posição, devido aos ferimentos incorrigíveis. Após o seu regresso, e no desenvolvimento de um crime, conhece Sherlock Holmes, um detetive excêntrico que o acompanhará até ao fim do livro.

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A história divide-se em duas partes. A primeira é narrada na primeira pessoa por John. Nesta, John descreve, não só a sua relação com Holmes e o seu ponto de vista sobre ele, mas também a forma como Sherlock aborda cada caso, e a sua genialidade em relação à dedução de certos factos. É caracterizada, ainda, a atenção particular que o detetive tem para os mínimos detalhes, o que acaba por causar uma certa confusão no leitor. As conclusões tiradas por Sherlock são apenas descritas após alguma personagem se questionar sobre elas. Esta parte termina com a captura do autor do crime, mas sem especificar o porquê ou como Sherlock descobriu a sua identidade.

A segunda parte torna-se ainda mais confusa que a primeira e é narrada na terceira pessoa. Neste segmento, apresenta-se a comunidade mórmon nos Estados Unidos da América, descrevendo as suas tendências poligâmicas, o que serve para explicar o passado e a razão dos homicídios descritos na primeira parte. É nesse fim que se regressa a John Watson e à investigação, concluindo-se assim a obra.

A personagem de Sherlock é algo que capta o leitor pela sua excentricidade, mas também pela sua arrogância, criando-se uma relação de amor-ódio. A relação entre o médico e o detetive é outro aspeto que torna a obra mais cativante, pois existe um contraste notável entre as duas personalidades.

É inegável que o livro trouxe mudanças drásticas ao mundo da literatura, assim como da cultura pop, com a criação de Sherlock. No entanto, é necessário denotar a complexidade da obra, assim como a confusão que é criada no leitor. A confusão é criada, não particularmente porque o assunto tratado é complexo, mas por causa da linguagem usada. Isto é compreensível tendo em conta que a obra foi publicada em 1888. A par disto, o autor faz com que muitos detalhes sejam descritos em passagens muito posteriores e que haja um mudança súbita de linguagem e narração entre partes.

Conan Doyle conseguiu criar uma obra que viria a marcar para sempre o rumo da literatura. Porém, a descrição dos acontecimentos, a introdução do passado do autor dos crimes, a apreensão do tal autor sem serem apresentadas justificações imediatas, causa uma extrema frustração no leitor, que parece não conseguir acompanhar os acontecimentos narrados.

A obra é de facto algo inesquecível no mundo literário, tendo já sido inspiração para a criação de vários séries e filmes. Um Estudo em Vermelho reflete a genialidade do autor e a importância que as personagens do livro vieram a ter num mundo posterior.