“Fábulas de um Coração Partido” é o nome do segundo álbum de João Miranda. Este projeto do artista barcelense tem data de lançamento prevista para junho deste ano segue-se a “Agnórise”, o álbum de estreia do artista no mundo da música, lançado no ano passado. O ComUM conversou com o cantor de forma a conhecer melhor este seu projeto em elaboração, o seu percurso artístico ao longo destes tempos pandémicos e trabalhos futuros.

ComUM – Lançaste no último ano o teu primeiro álbum “Agnórise” e passado alguns meses vais lançar o segundo. Visto que vivemos tempos atípicos, consideras que a pandemia não teve impacto no teu sucesso enquanto artista?

João Miranda – Em termos de lançar os álbuns e produzi-los não teve impacto nenhum porque eu trabalho perto com amigos, por isso fazemos isto como se fosse um hobby, por diversão. Em termos de conseguir partilhar com o público em concertos, aí tem sido difícil porque o que importa mais no fim de um álbum é publicitá-lo com concertos. Não estando a conseguir fazer isso tem sido muito difícil também conseguir chegar ao público, então sim, tem sido muito complicado.

ComUM – O feedback do público no primeiro álbum foi positivo. O que esperas para este segundo álbum?

João Miranda – Neste segundo álbum espero mais maturidade também em termos de produção porque no primeiro álbum os meus colegas, os Lau Slater ,que foi quem produziu o álbum, estavam a começar. Eu era um bocado a cobaia deles então agora eu tenho a certeza ,e vocês também podem ter a certeza com o novo single que foi lançado, que os níveis de produção estão muito melhores. Em termos de produção espero um álbum muito mais preparado para ser lançado para os meios musicais que temos hoje com níveis de produção muito altos, espero também mais qualidade em termos da música mesmo, de letras, de melodias e espero conseguir mais concertos depois na altura em que o álbum irá sair.

ComUM – Tendo teu primeiro álbum um nome tão característico, já há nome para este segundo álbum?

João Miranda –  Já tem nome, e também é algo que não se vê muito no mainstream de música, que é “Fábulas de um Coração Partido”. O álbum vai estar dividido em quatro partes com poucas músicas em cada. E estas partes contam uma história diferente sobre uma fábula de um coração que depois é partido. E essa passagem de um coração normal para um partido e depois para a reconstrução de uma vida “normal” e depois conseguir seguir em frente deste trauma, seja lá qual ele for, de partir o coração. Acho que quando se conseguir ouvir todas as partes, vão conseguir perceber porque é que se chama as “Fábulas de um Coração Partido”. 

ComUM – Na última entrevista que deste ao ComUM questionaram-te acerca da música ser o teu caminho, ao qual respondeste: “Ainda não tenho a certeza se é mesmo o meu caminho”. Após o primeiro álbum e o lançamento de um novo álbum já te traz essa certeza?

João Miranda – Ainda não. Às vezes ponho-me a pensar, porque eu gosto muito de escrever e gosto de escrever músicas, cantar e interpretar as músicas que escrevo, e eu ponho-me a pensar se eu sinto estas coisas todas tem de ser isto para o resto da minha vida. Mas a verdade é que ao fim de um período em que eu escrevo muito e depois junto tudo para um álbum, chega um tempo em que eu penso que se calhar não é bem isto que eu quero, se calhar é alguma coisa do meu curso. Ainda para mais o meu curso é muito abrangente em termos das letras, eu começo a pensar que para além da música, outro campo abrangente que eu tenho de escolher lá alguma coisa para fazer. É sempre uma discussão entre mim e a minha consciência.

ComUM – Achas que um dia essa questão de ser uma discussão entre a tua consciência, vai ter de facto uma resposta ou vais estar sempre dividido naquilo que realmente gostas, ou podes sempre desempenhar duas funções.

João Miranda – Eu acho que a discussão vai estar sempre a acontecer, a não ser que as oportunidades surjam para um dos lados. Se agora tivesse a oportunidade de um contrato com uma gravadora milionária, eu dizia que sim obviamente. Mas se me dissessem que tinha um estágio no Ministério da Cultura, eu aceitava também, sem problemas. Está relacionado com as oportunidades.

ComUM – O que mudou com a pandemia?

João Miranda – No segundo álbum a pandemia teve um papel mais importante que o primeiro porque o primeiro foi gravado numa altura em que os casos eram poucos. Este segundo álbum, quando começou a altura de gravarmos, a primeira vez que fomos  a estúdio foi no inicio de outubro e a partir daí os casos aumentaram muito. Houve uma segunda vaga e então nós só voltamos outra vez ao estúdio em dezembro, e agora pelo que parece vamos ter novo confinamento que nos vai impossibilitar de estar outra vez em estúdio. O projeto do álbum em si está igual, mas o número de músicas foi cortado drasticamente. Queria um álbum grande com 18 músicas e passaram a 13 só, por isso o vírus tem um papel mais importante neste álbum do que no outro.

De resto os concertos é o que faz mais falta. É claro que há muitas iniciativas em que se fazem concertos à distância e tudo, mas não sei porquê essas iniciativas não chegam aos artistas que estão a começar, chegam aos artistas que já têm um nome.

ComUM – Tens concertos agendados?

João Miranda – Ainda não tenho concertos agendados.

ComUM – O lançamento do teu álbum está previsto para a primavera/verão, achas que tanto no primeiro como no segundo álbum o público percebe ou vai perceber a tua música, mesmo em relação aos nomes dos álbuns, sentes que o público percebe e se identifica com a tua música?

João Miranda – O problema que pode também ser uma vantagem, mas no caso do público português para quem eu canto aqui em Barcelos, o problema é que eu escrevo em inglês. O primeiro álbum eu fiz a grande maioria das músicas em inglês, o segundo álbum já vai ter mais em português, mas ainda uma parte em inglês. E o terceiro álbum que já escrevi todo também, é em português. Um grande problema que tenho para as pessoas não perceberam é o facto de cantar em inglês. Se o meu público fosse maior e mais abrangente aí acho que já não seria um problema, mas neste momento enquanto eu não conseguir esse mainstream para o público, vou tentar seguir o português ao máximo possível. Não que eu não goste de escrever em português porque gosto muito, mas às vezes sabe bem escrever alguma coisa em inglês. Por isso para já tem de ser mais em português.

ComUM – Em relação a projetos futuros, já revelaste que tens terceiro álbum, já tem uma data de lançamento pensada ou depende deste álbum que irás lançar em junho?

João Miranda – O terceiro, eu escrevi-o muito rápido devido às coisas que estavam a acontecer na minha vida. É um terceiro álbum muito especial, dedicado à minha mãe que eu perdi durante a pandemia, e então o terceiro álbum vai ser todo dedicado a ela, a falar sobre ela e sobre vários aspetos dela e do que ela me ensinou da vida.  Foi escrito muito rápido exatamente por causa disso porque enquanto isto estava a acontecer, ela esteve internada um mês e foi nesse mês que eu escrevi tudo e agora desde que ela faleceu só escrevi duas músicas para substituir outras que não gostava tanto e está tudo escrito. Já falei com os meus amigos, vai ser um álbum mais simples e mais acústico.

Quando vai ser lançado, ainda não sei. Nós estamos adiantados na gravação deste segundo álbum, a produção já é algo mais demorado. Tendo a gravação feita acho que a produção se vai fazendo. Agora se conseguirmos acabar este lá para maio, vamos tentar começar a gravar o terceiro de seguida porque eu sou assim, acabo um e tenho que começar outro. Espero conseguir lançar em 2022, esperava que fosse no início, mas se for mais tarde não será muito mais tarde.