Na conversa, ficou concordado que as mulheres são coniventes com atos de desigualdade e discriminação, contribuindo de forma indireta para perpetuar o problema.

A Escola de Medicina da Universidade do Minho promoveu um espaço de conversa acerca da relevância do género, no atual panorama das ciências. O evento ocorreu esta quinta-feira, o dia em que se celebrou o Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência.

Moderada por Inês Ferreira, a conversa contou com a participação da professora Elvira Fortunato, da neurocientista Ana João Rodrigues e da professora Isabel Estrada Carvalhais. Aludindo ao conceito de ciência, Isabel Carvalhais identifica o preconceito de género como “profundo e antigo”, ligado a uma “identidade forjada no século XIX, que tem a sua raiz na razão iluminista”.

Elvira Fortunato corrobora este parecer, afirmando: “É evidente que a ciência tem que evoluir dentro da ciência”. Assegura nunca ter sido vítima de preconceito no percurso académico ou na ascensão na carreira, não obstante acredita na relevância da abordagem da temática. “Eu nunca me senti marginalizada, mas reconheço que é um problema como professora e como mãe”, evidencia ainda.

Ana João Rodrigues entende que “a priori existem diferenças biológicas” entre os géneros. Reitera ainda que estas devem ser assumidas e interpretadas como “oportunidades benéficas” e não como “uma razão para atribuir fraquezas ou forças a qualquer dos sexos”. Segundo a mesma, “é por aí que não só a ciência, mas a sociedade tem que caminhar”.

As convidadas citam o exemplo da atribuição de Prémios Nobel, ao analisar a quantidade de prémios atribuídos a mulheres que ronda apenas 2%. Invocam também outros estudos realizados pela UNESCO e a Eurostat em 2018 que expõem a disparidade atual entre os géneros no que toca principalmente ao acesso a cargos de chefia.

De forma a combatê-los, Elvira Fortunato defende a criação de gabinetes de género e oportunidades implementados nas universidades com metas realistas estabelecidas. Ana João Rodrigues afirma que os media têm um papel importante na desmistificação. E, por fim, Isabel Estrada Carvalhais considera ser relevante uma educação básica e primária que contribua para a igualdade.

Artigo escrito por: Catarina Roque a Maria Sá