O mentor do Plano de Resiliência e Recuperação justifica a sua posição com a necessidade de “criar talento” nas universidades.

O gestor António Costa e Silva defendeu esta segunda feira que a aposta nas qualificações, incluída no Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), deve abranger as instituições do ensino superior. O responsável considera que só será possível “criar talento” se as infraestruturas forem modernizadas.

“Nós só vamos fazer a diferença se continuarmos a criar talento como as nossas universidades têm feito. Se modernizarmos as infraestruturas tecnológicas das universidades e todo o sistema de ensino superior”, afirmou.

António Costa e Silva enunciou publicamente a sua opinião no webinar organizado pelo Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas para debater o PRR. Aqui, defendeu também que se o país tem de fazer “as escolhas certas”. Para o gestor, estas passam pela aposta num modelo de inovação tecnológica, que dê mais vitalidade ao sistema científico e tecnológico. Assim como, na investigação fundamental e nas áreas mais relevantes da ciência.

A par disso, Costa e Silva defendeu também a necessidade de se criar as competências para que os centros de investigação, em conjunto com as empresas, sejam “capazes de impulsionar o país para o futuro”. “Para daqui a dez anos podermos dizer que o país entrou na terra prometida”, concluiu então o mentor do PRR.

Arlindo Oliveira, presidente do Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores (INESC) afirmou que a escola digital e a transição digital, componentes inseridas no plano, mereciam “uma revisão”. Estas são “limitadas e pouco abrangentes”, considerou Oliveira.

No webinar Contributos do Ensino Superior para o PRR participou também a comissária europeia Elisa Ferreira e o ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Manuel Heitor. Além da questão referida, foi discutido nesta sessão o alargamento do programa de compra de computadores Escola Digital ao ensino superior.