O seu artigo foi o vencedor do concurso que premiou trabalhos de investigação realizados em 2020.

Ana Rita Araújo, investigadora do 3B’s Research Group, foi galardoada pela Sociedade Portuguesa de Biofísica pela descoberta de um composto da cortiça que pode ajudar no combate à alzheimer. A ex-aluna da UMinho desenvolveu o seu estudo no âmbito da tese de doutoramento e vai apresentá-lo, em junho, no congresso da Sociedade Portuguesa de Biofísica.

O prémio é referente ao artigo “Vescalagin and castalagin reduce the toxicity of amyloid-beta42 oligomers through the remodelling of its secondary structure”, com orientação de Rui Reis e Ricardo Pires. Em entrevista ao ComUM, a investigadora explica que o composto não foi descoberto por ela apenas, “ele já é reportado na literatura há alguns anos”. “O que acontece é que fomos nós, o grupo 3B’s, que lhe demos esta aplicabilidade”, salienta ainda.

“O composto é extraído da cortiça e o que ele faz, no fundo, é intercalar o arranjo de uma proteína que nós temos no cérebro, que tem tendência a formar placas, e inibir essa formação de placas e que estas se depositem nos neurónios e impeçam as sinapses”, acrescenta.

Em relação à alzheimer, Ana Rita Araújo afirma que “é uma doença muito complexa e que não se limita a esta proteína na qual eu falo no artigo”. “Porém, a proteína é apontada como a principal causadora de toda a cascata seguinte. Primeiro, a má agregação leva a que todo o processo se torne patológico”, adverte a investigadora.

Ana Rita Araújo refere que existem outros compostos, por exemplo no chá verde, em que é possível extrair compostos semelhantes e há uma concordância na literatura que este tipo de compostos têm a capacidade de remodelar a proteína. “Neste sentido, é importante descobrir novos compostos que sejam eficazes. Abre caminhos para novas descobertas, para formulações sintéticas controladas”, declara a ex-aluna da UMinho.

“Cada vez mais temos tecnologias que nos permitem ir ao pormenor do cérebro, mas é muito complexo por este ser um sistema em rede. É difícil dizer que certa ação só provoca aquela reação. Esta ação provavelmente desencadeia milhares de reações e é por isso que é difícil o conhecimento nesse aspeto. Cada vez mais há formas de prever o comportamento cerebral e acho que estamos num ótimo caminho. O aumento tecnológico veio trazer mais ferramentas e isso exponenciou a capacidade de explorar”, termina Ana Rita Araújo.

Neste momento, a investigação está numa fase inicial. Ana Rita Araújo confirma que vai continuar a trabalhar nesta temática de modo a garantir que os compostos conseguem penetrar a barreira hematoencefálica e, assim, fazer a diferença no combate à alzheimer.