O projeto Comprar@Braga pretende minimizar o impacto pandémico nas pequenas empresas.

Sobre o mote “Tenha o comércio local sempre à mão”, a Câmara Municipal de Braga divulga iniciativa que pretende apoiar os comerciantes bracarenses na digitalização dos seus negócios. Disponível a partir desta terça-feira, o projeto Comprar@Braga resulta do trabalho entre o município, a InvestBraga e a Associação Comercial de Braga (ACB), em parceria com os CTT.

Segundo o site oficial da iniciativa, o Comprar@Braga visa prestar auxílio aos negócios do concelho. Além de permitir que “os comerciantes disponibilizem os seus produtos nas suas lojas online e que os consumidores, em qualquer parte do país, os possam adquirir”, possibilita o acesso a formações sobre o comércio eletrónico.

Tal como explicado, a criação das lojas online estarão ligadas ao serviço CTT – Comércio Local. Desta forma, “qualquer comerciante de Braga irá poder criar e disponibilizar a sua loja online, dando a possibilidade dos consumidores poderem, recorrendo à aplicação, adquirir produtos disponibilizados nas lojas aderentes, com conforto, segurança e sem sair de casa”, pode ler-se.

Durante a sessão de apresentação do projeto Comprar@Braga, o presidente da Câmara Municipal de Braga e da InvestBraga, Ricardo Rio, sublinhou que, além do estabelecimento de medidas que permitam minorar os impactos da pandemia no setor do comércio, torna-se essencial criar condições de sustentabilidade para os negócios.

“Mais do que ajudá-los a sobreviver, o que nós pretendemos é que os agentes económicos do concelho de Braga tenham condições para continuar a desenvolver a sua atividade, a manter uma relação estreita com os seus consumidores e, eventualmente até, a alargar o seu campo de atuação”, afirmou.

O autarca refletiu ainda sobre as potencialidades do mundo digital, concluindo que este “permite-nos chegar muito mais além do que o mundo físico nos possibilita”. Desta forma, acredita que se trata de “uma solução que vem no momento certo e que irá ajudar a ultrapassar este período de maiores dificuldades no comércio local, mas sobretudo permite abrir uma janela de oportunidade, que vai muito para lá deste contexto de pandemia”.

O diretor geral da ACB, Rui Marques, reforçou que a iniciativa “surge num momento oportuno e adequado, em que o comércio local vive momentos de dificuldade extraordinários”. Além do mais, enumerou o conjunto de vantagens associadas ao comércio eletrónico: aproximação da loja aos clientes, superação das restrições aplicadas à venda física, alargamento de pequenos comércios e fomentação de vendas.

Rui Marques vê a digitalização do comércio como um desafio, “um dos maiores desafios da economia, não da próxima, mas da presente década”. No entanto, reconhece que esta transição está a ocorrer mais lentamente do que o esperado, sobretudo nas micro e pequenas empresas.

De acordo com o diretor, estima-se que mais de 50% das microempresas portuguesas e pequenos negócios ainda não tenham qualquer presença online. Rui Marques crê que estes dados se transcrevem em três ordens de razão principais: as empresas possuírem equipas pequenas, com poucas competências digitais e com falta de capacidade de investimento.

Sendo assim, considera que a adesão a marketplaces ou lojas conjuntas corresponde a “uma mais-valia e a um facilitador deste processo de digitalização do pequeno comércio”, onde se enquadra a solução Comprar@Braga.

Deste modo, enumerou um conjunto de benefícios associados à iniciativa: “ser uma tecnologia simples, intuitiva, mas fiável”; “beneficiar de um efeito de escala” municipal e nacional; uma solução que “assenta num sistema de entrega super-rápido”; um “modelo de negócio win-win, em que quando o comerciante ganha ganham todos”; “não haver custos de desenvolvimento inicial”; “suporte técnico” assegurado, incluindo oferta formativa e “apoio na parametrização on-job, ou seja, no próprio estabelecimento”; e a “capacidade de divulgar, de atrair pessoas, que o município, que a InvestBraga, a própria ACB e os CTT aportam”.

O administrador executivo dos CTT, João Sousa, acrescentou considerar o projeto CTT – Comércio Local “uma solução revolucionária”, referindo que “Portugal é um país de pequenas empresas, de microprodutores e estamos muito contentes em trazer esta oferta para o concelho de Braga”.

João Sousa explicou ainda que a iniciativa “vem muito na linha do investimento que os CTT têm feito, que se posicionam como um dos principais players para a digitalização do país e da economia”. Aquando o surgimento da pandemia, sentiram que tinham “esta obrigação de reforçar este investimento e de o acelerar para ajudar que a economia não parasse”.

De seguida, o diretor de gestão de produtos empresariais e publicidade dos CTT, Mário Sousa, apresentou aquilo que consideram ser “soluções 360”, uma vez que endereçam “todas as valências necessárias para que este negócio”. Quanto ao CTT – Comércio Local, explicitou o seu propósito, assegurar “todas as componentes transacionais de compra e venda dos comerciantes e clientes finais (pagamento, recolha no comerciante, entregas)”.