Ana Galvão, Luís Oliveira e Rita Colaço, três nomes conhecidos da rádio portuguesa, participaram nesta conversa.

No âmbito do Dia Mundial da Rádio, o Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade da Universidade do Minho (CECS) promoveu na tarde deste sábado uma conversa online. “Para onde vais, amiga rádio?” foi a pergunta-mote de um debate sobre o modo como a rádio tem evoluído e inovado, continuando a ser essencialmente um meio de conexão.

A sessão, moderada pela professora e investigadora Madalena Oliveira, juntou à conversa Ana Galvão, da Rádio Renascença, Rita Colaço, da Antena 1, e Luís Oliveira, da Antena 3. Os três profissionais, com uma ligação afetiva ao meio sonoro, contribuíram para a reflexão com experiências pessoais e profissionais, respondendo também às questões dos espectadores.

Ana Galvão iniciou a conversa, descrevendo a rádio como uma “amiga” que serve para “acompanhar a fazer outras coisas”. “Não há a distração da imagem, é só aquilo que nos chega aos ouvidos”, afirmou a radialista de As Três da Manhã, lançando o debate para o tema da relação da rádio com a tecnologia.

Desta forma, Luís Oliveira salientou a possibilidade de se ouvir rádio através de múltiplas tecnologias, como os computadores e smartphones. Já Rita Colaço evidenciou o crescimento de outros meios sonoros no digital, como os podcasts, que “souberam dialogar com as gerações mais novas”. “É preciso fazer diferente”, constatou a jornalista.

Neste sentido, a inovação e a proximidade com os públicos foram outras temáticas centrais da conversa, com os três radialistas a concordarem que “proximidade é inovação”. A este propósito, Ana Galvão referiu que a inovação “depende de criar conteúdos que mais ninguém tenha e da forma como tratamos os assuntos”, apontando como entrave a falta de investimento.

Rita Colaço abordou o decréscimo de recursos humanos nas rádios para justificar “menos saídas à rua”, enquanto que Luís Oliveira pediu “mais humanidade” e colocou a aposta nos meios descentralizados. “A inovação nas rádios locais passa por captar e descobrir talentos. Às vezes queremos saber tudo sobre o artista de Brooklyn e não do artista da nossa rua”, concluiu o profissional do campo musical.

Esta iniciativa foi organizada pela equipa do projeto Audire: guardar memórias sonoras, em parceria com o think tank Communitas, ambos dinamizados pelo CECS. A sessão foi realizada na plataforma Zoom, sendo que a transmissão da mesma encontra-se disponível na página de Facebook do Communitas.