O tema deste ano “Novo Mundo, Nova Rádio” subdivide-se em três subtemas: evolução, inovação e conexão.

O Dia Mundial da Rádio foi aprovado por unanimidade em 2012 pela Assembleia Geral das Nações Unidas, que o declarou como um Dia Internacional da ONU. No dia 13 de fevereiro recorda-se que a rádio acompanhou os principais acontecimentos históricos mundiais e que continua a ser um meio de comunicação importante, que se adaptou à era digital, daí o tema de 2021 ser “Novo Mundo, Nova Rádio”.

José Paulo Silva, locutor na Antena Minho e jornalista no Correio do Minho, iniciou a sua experiência na rádio no tempo das rádios pirata. “Muitos profissionais da rádio falam da sua paixão e acredito que o principal motivo é o facto de ser um jornalismo na hora. Para mim a rádio tem esse fator de atração, que é o facto de podermos entreter os ouvintes e sabermos que, em menor ou maior quantidade, está sempre alguém a ouvir-nos”, explica o jornalista.

“As rádios pirata eram projetos muito românticos na altura”.

José Paulo Silva

Numa perspetiva mais jovem, Tiago Barquinha Gonçalves, jornalista na RUM, foi habituado a ouvir rádio e, com isso, acabou por seguir a área da comunicação. “A rádio foi um objetivo que tive, mas acho que é um bocadinho por aí, pela experiência que fui tendo e o bichinho da rádio foi sempre aumentando”, afirma o jornalista. “A rádio tem uma característica especial, que é as pessoas falarem connosco”, acrescenta.

Quanto à possível obsolescência da rádio, Tiago Barquinha Gonçalves crê “que a rádio já teve maior dimensão e por muito que já se anteveja a morte da rádio há muitos anos, isso nunca vai acontecer porque vai haver sempre pessoas que gostam e querem ouvir rádio”. “Fala-se de um alegado fim da rádio, que a rádio ia perder importância, mas acho que o facto da rádio continuar a dar informação imediata continua a ser muito útil”, alega José Paulo Silva.

Tem que se tentar adaptar sempre às novas tecnologias de forma a que o interesse pela rádio não se perca.

Tiago Barquinha Gonçalves

Este ano, a UNESCO decidiu que a conexão, inovação e evolução eram temas que mereciam destaque. “A conexão depende muito do íntimo de cada um, da forma de estar na sociedade e dos gostos pessoais”, declara Tiago Barquinha. Ângela Fernandes, jornalista da Rádio Vizela, confessa ao ComUM que “nós temos pessoas que nos ouvem de vários pontos, que nos contactam diariamente. São pessoas que depois se conhecem e isso une-as. Recebemos recentemente uma mensagem de uma filha a agradecer porque, durante o confinamento, nós éramos a companhia da mãe, uma senhora idosa que raramente vai à rua”.

Sobre a evolução, o jornalista da Antena Minho diz que a rádio evoluiu no sentido de entrar noutras plataformas. “Não conheço nenhuma rádio neste momento que use só o som como meio de comunicação”. Simultaneamente, o jornalista da RUM faz referência ao formato de podcast como um ponto positivo para a inovação da rádio. “Deixou de haver aquela ideia de que se não ouvirmos perdemos o programa, isso já não acontece”.

Tiago Barquinha, num apontamento sobre o setor da rádio em Portugal, adverte para a dependência do setor económico. “Quanto maior dependência houver de grupos económicos, mais complicado será ter independência para se fazer aquilo que se acha correto”.

Audrey Azoulay, diretora-geral da UNESCO, deixou também uma mensagem que assinala este dia. “Mais do que nunca, precisamos deste meio humanista universal, vetor da liberdade. Sem a rádio, o direito à informação e liberdade de expressão, e, com estes, liberdades fundamentais estariam enfraquecidas, assim como a diversidade cultural, visto que estações de rádio comunitárias são as vozes dos que não têm voz”.

Artigo por Maria Carvalho e Mariana Festa