A cantora barcelense atua na segunda semifinal do Festival da Canção 2021, que acontece já este sábado, 27 de fevereiro.

Natural de Barcelos, Graciela Coelho é uma das cantoras mais conhecidas da cena musical underground em Portugal. Enquanto elemento dos Dear Telephone, a vocalista tem pisado vários palcos nacionais, colaborando regularmente com outros artistas e bandas, entre os quais We Trust, PZ e White Haus.

A convite do compositor João Vieira, Graciela tem agora lugar no Festival da Canção 2021 enquanto intérprete do tema “A Vida sem Acontecer”, que se estreia em palco no próximo sábado. Ao ComUM, a cantora barcelense falou sobre o seu percurso musical e a participação no certame nacional.

Graciela (Foto: Miguel Flor)

ComUM – Como foi o teu primeiro contacto com a música?

Graciela – Lembro-me da primeira vez que cantei em público, em 1998: uma canção dos Madredeus, “A vaca de fogo”, num festival escolar, por influência de um professor de música. Os meus pais perceberam o sinal e encarregaram-se de fazer o resto [risos].

ComUM – Estudaste piano clássico e canto até ao final da tua adolescência. Que importância tem essa formação na forma como te apresentas hoje enquanto artista?

Graciela – O ensino formal de música treina um equilíbrio mágico entre o prazer e a disciplina. Foi crucial para desenvolver estratégias de composição, técnica vocal, para perceber quais os meus limites e, sobretudo, entender que a voz é o meu instrumento principal.

ComUM – A par da música, licenciaste-te e trabalhas em design gráfico. O que significam essas duas áreas para ti?

Graciela – O design gráfico o meu cérebro, a música o meu coração.

ComUM – Em 2010, ajudaste a construir o projeto Dear Telephone. Fala-nos um pouco da tua banda.

Graciela – Os Dear Telephone formaram-se em 2010. Temos 3 álbuns editados (Birth of a Robot – 2011, Taxi Ballad – 2013 e Cut – 2017) e, neste momento, estamos a preparar o quarto disco de longa duração, a editar muito em breve. Procuramos fazer música com o mínimo de artifícios, explorando a expressividade do lado mais nu e cru dos instrumentos de cada um e a força da interpretação.

ComUM – “Cut”, de 2017, foi o último álbum que lançaste com os Dear Telephone. Que significado tem este “corte”?

Graciela – É também o nome de uma canção do disco. É uma alusão ao “corta” que se ouve num set de filmagem, separando a vida real e a ficção. No fundo, é um disco que explora essencialmente essa dualidade.

Graciela (Foto: Cláudio Vieira Alves)

ComUM – Desde 2011, colaboras com outros artistas e bandas. Um projeto a solo é algo que ambicionas?

Graciela – Neste momento, não. Considero que os Dear Telephone são o projeto da minha vida.

ComUM – Fazendo uma viagem pelos teus gostos musicais, quem consideras ser os teus maiores ídolos?

Graciela – Essa é uma pergunta muito difícil de responder, mas posso arriscar e dizer apenas um: Joni Mitchell.

ComUM – Em relação à tua participação no Festival da Canção, disseste ao ComUM que este seria “um momento importante” na tua vida e carreira. O que esperas que este evento te traga?

Graciela – Vai ficar para sempre este marco na minha vida: fiz parte da história do Festival da Canção. Gosto de desafios e este será mais um. Poder cantar, em direto, no maior palco do país – a casa das pessoas – confesso que é uma ideia entusiasmante!

ComUM – E se ganhares o Festival?

Graciela – Não penso, sinceramente, muito nisso. O mais importante já está a acontecer, que é todo este processo [de participar].