A atriz Adelaide João, conhecida por “Lai Lai”, faleceu esta quarta-feira, dia 3 de fevereiro, com 99 anos, vítima de covid-19. Esta é a segunda morte provocada pelo vírus na Casa do Artista, instituição onde residia em Lisboa.

Maria da Glória Pereira Silva, nasceu a 27 de julho de 1921, em Lisboa, e participou nas primeiras telenovelas portuguesas Vila Faia (1982) e Origens (1983). Maria Silva começou como atriz amadora no grupo de teatro da Philips e o último trabalho realizado por esta foi na série televisiva The Coffee Shop Series, em 2014.

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A alcunha “Lai Lai” foi adotada no tempo em que fez teatro. A atriz iniciou-se nestas lides por incentivo do pai, o ator Morais e Castro. Aluna do Conservatório Nacional, encontrou em Paris a verdadeira vocação. Estudou no país francês com uma bolsa de estudo Fundação Calouste Gulbekian e foi aí que obteve a carteira de atriz profissional. Mais tarde incorporou a companhia de teatro dirigida por Ingrid Bergman. A artista acolheu, por sua vez, o nome artístico Adelaide João.

Adelaide foi considerada uma das atrizes portuguesas mais versáteis por participar em diversos filmes portugueses e franceses. E ainda por trabalhar diretamente com realizadores de renome como Ernesto de Sousa, José Fonseca e Costa, Manoel de Oliveira, Fernando Lopes e Ricardo Costa.

Em 1965, regressou de vez aos palcos portugueses, tendo integrado a Companhia do Teatro Estúdio de Lisboa, mas ainda participando em trabalhos noutras companhias. Na televisão protagonizou séries, telenovelas, telefilmes e teatro televisivo. Alguns trabalhos foram em O fidalgo aprendiz, A sapateira prodigiosa, A vida do grande D. Quixote e Schweik na Segunda Guerra Mundial (1976).

Em 2017, recebeu o prémio Sophia pela carreira brilhante em séries como Sete Pecados Mortais (1966), Cobardias (1988), A loja do Camilo (2000), Os Batanetes (2004), Aqui Não Há Quem Viva (2007), Floribella (2007) e a mais recente Um Lugar para Viver (2009). O talento da atriz foi descoberto pelo realizador Artur Ramos, que a convidou para fazer televisão e, desde aí, nunca mais parou.