Carmen Dolores faleceu esta terça-feira, dia 16 de fevereiro, em Lisboa, aos 96 anos. A morte da atriz e escritora portuguesa foi confirmada e divulgada pelo encenador Carlos Avilez, seu amigo. Não se sabe, ainda, detalhes sobre as suas possíveis causas.

Carmen Dolores Cohen Sarmento Veres nasceu a 22 de abril de 1924, em Lisboa. Era filha de José de Matos Sarmento de Beja e de María del Pilar Manuela Cohen y Muñoz e irmã do, também falecido, ator António Sarmento. Casou com Vítor Manuel Carneiro Veres, um engenheiro, em Vila Nova de Gaia, Santa Marinha, a 30 de abril de 1947.

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A atriz estudou no Liceu D. Filipa de Lencastre e deu-se a conhecer ao público através do teatro radiofónico na RCP, com apenas 12 anos, ao lado de grandes nomes da área. Estreou-se no cinema aos 19 anos, como protagonista, em Amor de Perdição (1943). Participou ainda nos filmes Um Homem às Direitas (1945), A Vizinha do Lado (1945), Camões (1946), O Princípio da Sabedoria (1975) e Balada da Praia dos Cães (1987). A sua última participação num projeto cinematográfico foi na comédia portuguesa de José Fonseca e Costa, A Mulher do Próximo (1988).

Iniciou-se no teatro em 1945, integrante da Companhia de Os Comediantes de Lisboa. Interpretou inúmeras peças, entre elas, O Vestido de Noiva e Sonho de Uma Noite de Verão (1952), O Gebo e a Sombra (1958), A Dança da Morte (1969) e Espectros (1992). Um Mês no Campo (2002) e Copenhaga (2003) foram das últimas peças que Carmen representou, tendo depois abandonado os palcos.

Carmen Dolores criou, em conjunto com outros atores, o Teatro Moderno de Lisboa, no palco do Cineteatro Império. Desenvolveu um projeto que permitiu a interpretação de novas encenações de grandes obras do teatro. Após o seu casamento, passou a representar no palco do Teatro Nacional D. Maria II.

Apesar de não ser a sua área predileta, a atriz participou em algumas telenovelas, tais como, Passerelle (1988), A Banqueira do Povo (1993) e A Lenda da Garça (1999). Além disso, fez parte também das séries televisivas Chuva de Maio (1990), A Viúva do Enforcado (1993) e Casa da Saudade (2000).

Dos imensos prémios ganhos, são de destacar: Prémio Lucinda Simões, Medalha de Mérito Cultural, Melhor Atriz de Teatro (2004), pela peça Copenhaga, Prémio António Quadros e Sophia de Carreira (2016). A atriz foi condecorada, em 2018, pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, com as insígnias de Grande-Oficial da Ordem do Mérito.

Carmen Dolores revolucionou a área do teatro e, em mais de 60 anos de carreira, brindou o público com peças surpreendentes. Todo o seu trabalho foi recompensado e teve os prémios e o reconhecimento merecidos. Deixa consigo um vasto número de trabalhos fabulosos e participações incríveis no mundo da televisão.