A Associação de Estudantes de Criminologia da Universidade do Minho (AECrimUM) promoveu o evento “Transgressão feminina”. A conversa teve início com as representantes do Movimento Democrático de Mulheres (MDM), Sandra Benfica e Tânia Silva. De seguida, teve lugar a intervenção de Carla Cerqueira, investigadora que está envolvida em projetos na área dos estudos de género e média.

Tânia Silva entende que a prostituição é “um sistema organizado para o lucro” e não se configura como um ato individual, no qual alguém vende o corpo por dinheiro. Pelo contrário, “funciona como um negócio e cria um mercado”.

Sandra Benfica, por sua vez, desvenda o conceito de proxenetas, “aqueles que verdadeiramente lucram com esta atividade”. Ou seja, são quem organiza e estrutura o mercado da prostituição, que os “compradores de sexo” instigam.

Concebe as prostituídas como “o elo mais fraco desta cadeia”, indissociável de desigualdades sociais e discriminação de género. Por estarem expostas a agressões e à repressão da sua dignidade e dos direitos das mulheres e crianças, o MDM exige que a prostituição seja assumida como uma forma de violência.

 

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Atualmente, e segundo Sandra Benfica, “a procura não diminuiu”, apesar da situação pandémica. Deste modo, muitas meninas e mulheres estão expostas à “prostituição indoor”, que decorre em moradias e apartamentos privados, elevando o perigo a que estão sujeitas. Denota que também se verificou um aumento de comportamento violento por parte dos compradores de sexo.

No seu discurso, Carla Cerqueira considera que “os media são uma instituição central na configuração do sistema social”. Assim, acredita ser ” fundamental questionar a produção mediática quanto à violência de género”. No que se refere à representação feminina, os media ainda secundarizam as vozes, o que conduz a um “discurso seletivo, negativo, que legitima a dominação masculina”.

A cobertura noticiosa por vezes contribui para a criação de crenças, ligadas a eventos de violência, como apenas ser praticada contra as mulheres, ocorre só em classes mais baixas, são casos isolados, provenientes de uma perda de controle, entre outros. Simultaneamente, a cobertura sensacionalista ampara a perpetuação de mitos, a desculpabilização do agressor.

É nesse sentido que considera significativo “desconstruir as mensagens jornalísticas veiculadas” , contribuindo para o desenvolvimento de um sentido crítico aprimorado, quer “por parte dos profissionais, quer por parte dos leitores”.