A cantora e compositora Lana Del Rey lançou, no passado dia 19 de março, o sétimo álbum de estúdio. Com Chemtrails Over The Country Club, a artista apresenta-nos, ao lado de Jack Antonoff, um leque de canções melancólicas que transitam entre o indie folk e o chamber pop. O novo projeto, que conta com 11 faixas, reflete sobre temas como a fama, o amor e a solidão.

Depois do intenso Norman Fucking Rockwell, lançado em 2019 e indicado a álbum do ano nos cobiçados prémios Grammy, eis que Lana Del Rey regressa mais delicada, com canções que apostam em suaves notas de piano, guitarra e timbres limpos. Trata-se, contudo, de um disco bastante familiar aos ouvidos daqueles que têm vindo a acompanhar o trabalho da cantora ao longo dos anos. Aliás, até os próprios elementos visuais, como a estética vintage ou as paisagens ensolaradas de várias localizações dos EUA, integram já a imagem de marca da artista. Não precisamos de qualquer legenda para sabermos que estamos perante um trabalho de Lana Del Rey.

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Num disco tão homogéneo como é Chemtrails Over The Country Club, torna-se um pouco difícil selecionar uma melodia de destaque, sendo necessário escutar toda a composição do início ao fim para encontrar as faixas prediletas. É precisamente com esta homogeneidade que o álbum se assemelha bastante aos trabalhos mais recentes de Taylor Swift, que contaram também com a colaboração do produtor Jack Antonoff e cujo um deles, folklore, foi recentemente premiado com o Grammy de álbum do ano.

Para introduzir o disco, Del Rey aposta no single angelical “White Dress”. Entre sussurros e vocais roucos, a cantora relembra, com nostalgia, os verões da adolescência em que trabalhou como empregada de mesa, algo que descreveu para a revista Rolling Stone no ano de 2014. No próprio videoclipe, é-nos possível ver Lana, no seu uniforme branco e justo, a sonhar com o que o futuro lhe reserva (“When I was a waitress/ Wearing a tight dress/ Handling the heat/ I wasn’t famous”). 

Segue-se “Chemtrails Over The Country Club”, a faixa-título que dá rosto a todo este projeto musical. Liricamente, a artista recorda as amigas do clube de campo e descreve o lugar como uma espécie de oásis, no qual predomina a felicidade (“It’s beautiful how this deep normality settles down over me/ I’m not bored or unhappy, I’m still so strange and wild”). As notas de piano e os vocais agudos que marcam esta melodia são também notáveis no tema “Let Me Love You Like a Woman”, no qual Del Rey, através de uma letra poética e doce, expressa o seu desejo de partir de Los Angeles e fugir com o eleito do seu coração.

A canção “Wild at Heart” evidencia uma particularidade que a artista executa de forma exímia ao longo de todo o disco: um contraste entre uma voz aguda e delicada e uma tendência mais grave. É também neste tema que Lana começa a transitar do indie pop e do soft rock para o folk propriamente dito, com recurso a guitarras e percussões marcantes. Em “Yosemite” e “Breaking Up Slowly”, as melodias oscilam ainda para o country, sendo crucial realçar os vocais vibrantes da cantora e compositora Nikki Lane nesta última composição.

Contudo, é na faixa “Not All Who Wander Are Lost” que os vocais agudos e suaves adquirem um grande enfase. Com um refrão para lá de viciante, trata-se de uma composição que remete para o folk alternativo da década passada e cujo título é uma referência ao poema The Riddle of Strider, de J. R. R. Tolkien. Vale ainda destacar os temas “Dark But Just A Game” e “Dance Til We Die”, nos quais a cantora explora sons que assentes em guitarras melancólicas, batidas eletrónicas, notas de piano soltas, cordas e saxofones.

Chemtrails Over The Country Club é, sem sombra de dúvida, a prova real de que Lana Del Rey se trata de uma artista bastante versátil e capaz de fazer o que quer com a sua música. Com este disco, a artista explora um lado muito menos sombrio e obscuro do que os trabalhos que marcaram o início da sua carreira, o que resulta num álbum refrescante de extrema qualidade.