As ideias erradas acerca do feminismo e a questão do assédio em contexto académico foram assuntos abordados pelas alunas de Sociologia.

Realizou-se esta quarta-feira, dia 2 de março, uma conversa entre o Núcleo de Estudantes do Curso de Sociologia (NECSUM) e Jéssica Rodrigues, aluna do segundo ano da licenciatura do respetivo curso e membro do HeforShe da Universidade do Minho. O evento teve lugar na plataforma Instagram do NECSUM, numa transmissão em direto, e teve como tema o “Feminismo em contexto académico”. Teve como principais objetivos esclarecer dúvidas, falar sobre este tema e, ainda, sobre o trabalho do HeforShe UM.

Jéssica Rodrigues começou por dar o seu testemunho pessoal e falar do trabalho do HeforShe UM. “Tentamos criar mais posts nas redes sociais acerca das desigualdades para a consciencialização e conhecimento, principalmente sobre o feminismo”, destaca.

A estudante de sociologia salienta ainda a importância da consciencialização tanto em mulheres como em homens: “Não podem ser mulheres a puxar de um lado e homens do outro, precisamos de estar todos a puxar para o mesmo lado e a defender a igualdade de todos”. Esta falou ainda do principal projeto que o HeforShe da Universidade do Minho tem em mãos: a instalação de máquinas de venda de produtos higiénicos femininos.

Ao longo da conversa foram debatidas as ideias erradas que muita gente tem do feminismo. A crença de que o feminismo se centra na superioridade das mulheres quando na realidade o feminismo “é a crença na igualdade de oportunidades e direitos de todos os tipos de género, a nível económico social e político”, declara Jéssica Rodrigues.

 

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Primeira Parte da Conversa “Feminismo em Contexto Académico”

Também, a ideia de que o feminismo idolatra as mulheres independentes e que acaba por desvalorizar determinados estilos de vida. ”O feminismo diz que se não querem ser donas de casa, não sejam, mas se quiserem podem ser”, afirma a aluna de sociologia. “O importante é que as mulheres possam ser o que quiserem desde que não estejam a magoar ninguém”, acrescenta.

A questão do assédio em contexto académico foi também debatido. “Há certas questões sobre o assédio que as pessoas veem como normal”, alega Jéssica Rodrigues. “Nas noites académicas , quase toda a gente teve uma experiência assim, quer seja rapaz ou rapariga, mas isso não faz disso algo bom”.

A respeito das saídas à noite, Jéssica Rodrigues aborda a “conversa binária” existente. “A conversa não é igual para toda a gente, para a mulher é ‘toma atenção às tuas ações porque se acontecer é porque tu não tomaste suficiente cuidado’. Para os homens não existe o ‘toma cuidado a esses tipos de perigos que também te podem acontecer a ti ou então tu próprio não cries esse tipo de perigos’”. Mostra, assim, que este tipo de conversas é um grande erro. “Estamos a responsabilizar as raparigas por tudo e os rapazes não são responsabilizados por nada do que fazem”.

Em forma de conclusão, Jéssica Rodrigues reforça o trabalho do HeforShe e a sua importância. “Procuramos preencher os gaps para que toda a gente consiga perceber que realmente estas questões importam e que se a desigualdade de gênero fosse eliminada realmente teríamos um mundo melhor”, remata.