Lançado a 26 de fevereiro, Primaveras é o primeiro álbum de Beatriz Pessoa, que conta com nove faixas adocicadas. O LP é autobiográfico, cheio de vida, em história e ritmo, despertando o ouvinte através da elegante e agradável sinfonia.

A cantautora, fascinada pela energia da música brasileira, decidiu atravessar o atlântico a fim de gravar o disco no Rio de Janeiro, em 2019.  Conta com a presença de Danilo Andrade (teclista de Gilberto Gil), Pedro Fonte e Pablo Arruda (baterista e baixista, respetivamente, da banda de Rubel, cantor brasileiro). Como participação especial, desfruta, ainda, da presença de Cícero Rosa Lins, cantor, compositor e produtor musical de origem também brasileira.

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O conceito matriz do álbum seria a metáfora do tempo, o fim e o princípio. Com recurso à estação primaveril pretende vocalizar, em primeira mão, a própria Primavera. As músicas são compostas por letra e música originais da cantora. São desabafos cantados e transformados em música. Abordam temas como o amor, a saudade, e os extremos da vida. Ainda sobre o tema, Beatriz conta: “Quando escrevi as canções (…) Aprendi que escolhemos os nossos recomeços e que a primavera é um nascer de uma coisa e a morte de outra.”.

O disco, de modo global, é detentor de uma melodia fresca que nos transporta para a tão aclamada primavera, capaz de nos transmitir a sensação de repetidas brisas suaves, nota atrás de nota.  A voz da artista é aveludada, aprazível e apaixonada. Em certos momentos canta como que em sussurro, lugar onde se tem a oportunidade de perceber o som encantador que é capaz de entoar.

Acordar”, a faixa pioneira, inicia-se melancólica, naquilo que aparenta ser um desafogo mental da saudade amorosa. De seguida, “Elefante da Sorte” concentra-se num debate musical exclusivamente sobre a saudade.

Colo Secreto”, “Nós” e “Fala com Deus”, parecem ser dirigidas a um ele. Englobam de forma mais acentuada o capítulo do amor.

A faixa “Dueto”, vai ao encontro do nome e conjuga as vozes de Beatriz e Cícero. Une o português e o brasileiro num equilíbrio calmo e sobreposto.

As músicas “Laura”, “Canção Leve” e “Primaveras” são as mais festivas do álbum. Emitem uma essência mais leve e desafogada. O disco fecha em brasileiro com a música que dá título ao EP.

Os dois videoclipes, das canções “Elefante da Sorte” e “Nós”, foram realizados de forma singela. No primeiro caso, vemos a justaposição de gravações de diversas viagens feitas pela autora bem como imagens da mesma. No segundo, acompanhamos unicamente a artista, numa espécie de retrato pessoal.

Primaveras é pautado pela assumida influência musical brasileira, bem como pela serenidade trémula que exala. O álbum dá ao ouvinte a oportunidade de ser embalado por esta floresta musical, numa estação primaveril de paragem obrigatória.