No dia 3 de março, a Disney lançou a sua nova aposta em animação, Raya e o Último Dragão. O filme é inspirado em culturas sul asiáticas e mostra a princesa, Raya, numa aventura para salvar o mundo.

Os lendários estúdios de animação da Walt Disney voltaram com mais um investimento no universo das princesas. Desta vez, a princesa em questão é Raya, uma guerreira, sonhadora, determinada e portadora de traumas de infância. A princesa é introduzida na narrativa ainda em criança e podemos vê-la a crescer ao longo da pelicula. Tal como já de esperar, em pleno estilo de princesa Disney, Raya não tem pais.

Neste planeta, os humanos viviam em harmonia com criaturas mágicas, os dragões. No entanto, derivado da discórdia entra os vários clãs humanos, surgiram seres das trevas, os Druun. Estas figuras malignas transformam todos os seres em que tocam em pedra. A única coisa que pode reverter esta maldição são os poderes dos dragões e a união figurativa e literal da humanidade. Infelizmente, para eles, todos os dragões foram transformados em pedra e os humanos odeiam-se. Felizmente, para nós, esta é uma excelente premissa para uma história.

As personagens são algo muito particular nesta obra. A personagem principal, Raya, é das melhores e mais dinâmicas personagens em filmes de animação. Ela é calma, tranquila e carinhosa, mas é, também, dura, rigorosa e, por vezes, agressiva. A figura de Raya é, por vezes, a solução e, por outras, um empecilho. Estas características levam a um culminar de situações onde temos o tão esperado momento de revelação, maturação e “abre-olhos” para Raya.

Algo que pareceu diferente de outras longas-metragens foi o grupo de personagens secundárias. Todos sabemos que um grupo de aventureiros comum é composto pela personagem principal, os dois amigos de infância e a figura cómica que nem sempre é humana. No entanto, no caso de Raya e o Último Dragão, temos a personagem principal, um homem adulto, um rapaz, um bebé e um total de cinco personagens não humanas, entre as quais, a dragão Sisu.

Como qualquer aventura, também nesta obra cinematográfica existe a personagem antagonista, Namaari. Ela não é necessariamente a vilã, mas é uma inimiga, ou um obstáculo. A relação entre Namaari e Raya evolui de amizade para ódio e para uma espécie de romance não falado. Seguindo a tradição da Disney, nunca será explicito algum tipo de amor que não seja heteronormativo.

Em termos técnicos, a animação é incomparável. Já sabemos que no que toca a obras de animação destes estúdios, a excelência é o mínimo. A própria animação dos monstros Druun é melhor que alguns filmes inteiros de outros estúdios. Além disso, destaco ainda um dos momentos finais em que figuras mágicas voam pelo ar, criando um espetáculo de cor e luz, simplesmente, encantador.

A construção do mundo de Kumandra está, de forma direta, incrível. O modo como todas as zonas foram criadas e como as pessoas que as habitam se enquadram perfeitamente nas culturas regionais, transportam os espectadores para aquele novo planeta como dragões controlam as chuvas.

Depois do sucesso moderado de Mulan (2020), Raya e o Último Dragão é tudo o que os fãs da Disney precisavam para reanimar a paixão. A longa-metragem tem música, personagens, cenários e um enredo do melhor. A criação de algo especial é difícil em 2021, mas é possível e temos como exemplo Raya e o Último Dragão.