O cantor inglês Passenger, mestre do indie-folk, está de volta com o 13º álbum de estúdio, Songs For The Drunk And Broken Hearted. É o título ideal para um projeto que se foca na realidade de um coração partido nos tempos em que vivemos. Com a pandemia a data de publicação do mesmo foi adiada, dando margem ao cantor para escrever mais músicas. O álbum viu a luz a 8 de janeiro.

As letras poéticas, o estilo folk e uns belos riffs no piano já são uma combinação habitual o que, de certo modo, não surpreende, mas também não passa despercebido. Desta forma, o lançamento não é, de todo, um álbum de faixas felizes e otimistas, mas sim uma coleção de baladas comoventes e melancólicas. Passenger permite a qualquer ouvinte mergulhar profundamente com ele nas emoções com que se lida diariamente. A mensagem central é a de amor, perda do mesmo, amor pelos outros e amor por si próprio. Este álbum é uma jornada.

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“Sword from the Stone” destaca-se pela ânsia e tristeza na vontade de querer alguém bem, “hope you’re eating well, hope you’re staying strong”. Percebe-se que todos estes sentimentos são provocados pelo afastamento da pessoa que menciona. Depois de perguntar e esperar uma resposta positiva, refere que não está bem e que sozinho não consegue, “I can’t do it on my own,/ And I’ve tried and I can’t pull the sword from the stone”. É a primeira música desta viagem e, sem dúvida, das que mais marca pelo sentimento tão verdadeiro que é transmitido, pelas harmonias tão bem colocadas e um solo de guitarra já bem perto do final.

“Tip Of My Tongue” e “What You’re Waiting For” são as músicas que se seguem no álbum. Destacam-se pelo paradoxo de dedilhados alegres na guitarra e uma introdução otimista, ao lado das vozes sombrias de Mark Rosenberg e Passenger.

“The Way That I Love You” destaca o amor de Passenger por uma pessoa que não se sabe valorizar e ver como realmente é, “how many times can I tell you,/ you’re lovely just the way you are” e pede para que não deixe que o mundo e o que a rodeia a desmorone, “don’t let the world come and change you,/ don’t let life break your heart”.

Com um ambiente mais country e faroeste, “Remember To Forget” é uma nuvem de energia pelos solos super energéticos. Segundo o artista, é uma música para aquela pessoa que todos conhecem. Aquela que vem, bêbada, até nós e aos nossos amigos nos momentos que menos queremos. Reflete que todos nós já ignoramos essa pessoa e que isso é triste pois trata-se, na verdade, de uma tentativa de ligação com o outro.

“Sandstorm” poderá ser o exemplo de melodia e emoção deste álbum, uma melodia que deixa qualquer um ser levado pela tristeza. A extensão da faixa leva-nos numa viagem um pouco mais longa. Somos convidados para um universo muito além do nosso. O tema “A Song for the Drunk and Broken Hearted” leva embora o clima sombrio que depois regressa em “Suzanne”, mais uma vez. Um clima mais íntimo e focado em questões recorrentes, “Suzanne, is it everything you wanted? Suzanne, Suzanne, is it everything you dreamed it would be?”.

Nothing Aches Like a Broken Heart” é, novamente, o voltar ao paradoxo triste/alegre, não mudando muito a estética das músicas anteriormente apresentadas. Já no final da viagem, “London in the Spring” surge. Uma música com uma melodia suave, mas também sombria, quanto uma pintura da cidade de Londres.

Poderá dizer-se que Songs For The Drunk and Broken Hearted não é único comparado com o que o cantor já fez em álbuns anteriores, mas há uma produção mais notória e músicas que se destacam de uma maneira muito diferenciada. Essas fazem todo o álbum valer a pena.