The New York Times Presents: Framing Britney Spears é um documentário televisivo que nos permite entrar no mundo da cantora Britney Spears. O filme, lançado em fevereiro, retrata a sua ascensão à fama e a sucessão de casualidades que levaram à tutela do seu pai, sob a qual vive desde 2008. Esta problemática viria, mais tarde, a gerar o movimento “Free Britney”, movido pelos fãs.

Visualmente, é um documentário com uma imagem extremamente cuidada. Todos os cenários onde reuniram os entrevistados são esteticamente bonitos e os clipes da cantora estão muito bem montados. Ao longo do episódio, são evidenciados alguns vídeos da sua cidade natal que cortaram a respiração de tão belos que são. As cores são vibrantes e tudo parece estar em sintonia com a imagem associada à cantora.

A linguagem é bastante acessível. Não existem muitas expressões demasiado técnicas que dificultem o entendimento do espectador, mesmo com as legendas ainda indisponíveis. Sendo uma obra cinematográfica bastante factual, as palavras usadas para descrever quer a Britney Spears quer o Jamie Spears são delicadas, sem “atacar” ninguém.

De todos os temas abordados, o mais importante é o da saúde mental. Além disso, são retratados os comentários sexistas, críticas, a constante atenção de paparazzi e as relações falhadas. A fama trouxe de tudo à vida da cantora, que acabou por ter um esgotamento aos olhos do mundo inteiro. Britney que, de acordo com a sua mãe, se encontrava numa depressão pós-parto, viu-se forçada a ficar sem os filhos e sem os poder visitar. Foi um momento decisivo na sua vida, pois foi quando o pai alegou que a tutela dos seus bens seria a sua melhor opção, contra a vontade de Britney.

Contrariamente à media na altura, The New York Times Presents: Framing Britney Spears trata a cantora como um ser humano, com fragilidades e sentimentos. Mostra de a forma como a pressão do mundo inteiro afetou a jovem e como os problemas no âmbito da sua saúde mental foram demonizados. O documentário incentiva-nos, também, a refletir sobre o modo como lidamos com outras pessoas na mesma situação de Britney e sobre como merece um pedido de desculpas por parte do mundo inteiro.

Em suma, como seria de esperar do The New York Times, oestá extremamente bem feito. O filme é informativo sem colocar a empatia perante a situação de parte. Além disso, é dinâmico, intrigante e aborda temáticas mais pesadas com a seriedade que merecem. No entanto, acima de tudo, é humano.