Para assinalar o Dia Internacional do Jazz, celebrado esta sexta-feira, o ComUM esteve à conversa com uma banda de Jazz minhota, os Con-fusion Trio, composta por três jovens de Guimarães. O projeto musical tem uma história recente, uma vez que foi criado em contexto de pandemia, através de concertos a partir de meios digitais.

Lucas Abreu, fundador da EasyGig, uma produtora musical e organizadora de eventos com uma agência para artistas, começa por explicar que tudo “surgiu com a ideia de começar a divulgar artistas vimaranenses”, mas que, mais tarde, quis expandir o projeto. Posteriormente, nasceu o trio de Jazz que integra, os Con-fusion, juntamente com Nuno Silva e Daniel Lobo. O grupo musical surgiu através de um projeto de vídeo, e, a partir daí, “gerou-se de forma espontânea”, clarifica Nuno, que toca guitarra elétrica.

Quando questionados sobre o porquê do Jazz e de como surgiu a paixão por este estilo musical, Daniel Lobo, que toca teclas e piano, afirma que, por estar mais ligado às artes visuais, vê o Jazz como “algo muito intuitivo, orgânico” e como um espaço livre para experimentação: “é essa experimentação sonora que me atrai para o Jazz”.

Assim como Daniel, também Nuno frequenta o último ano da Licenciatura em Artes Visuais, na Universidade do Minho, e explica que, muito para além das particularidades sonoras que caracterizam o Jazz, o trio gosta de explorar o género musical na sua “questão improvisacional”. “Gostamos de ter a sensação de criar música no momento e ver o que acontece”, acrescenta o guitarrista.

Daniel salienta que “a energia do caos” é uma das bases do trio, daí o nome do grupo ser Con-fusion, remetendo para a ideia de “calamidade”. O pianista refere, ainda, que um dos propósitos do grupo é “ver o que se consegue fazer dentro da confusão, obviamente organizada”.

“Gostamos de ter a sensação de criar música no momento e ver o que acontece”

Os jovens de Guimarães acreditam que, apesar de no contexto vimaranense o Jazz ser promovido, continua a haver pouca adesão. “Ainda é visto como uma espécie de nicho de que apenas poucas pessoas podem gostar, mesmo que vários estilos musicais atuais venham do Jazz”, acrescenta Daniel. Nuno explica que a história do Jazz influenciou muitos outros estilos, como o Hip-Hop e o Rock, mas que, mesmo assim, “é uma espécie de mártir, uma coisa invisível”, remetendo para a falta de visibilidade do género musical.

Para o pianista do trio, a música é “quase uma necessidade”; no entanto, embora não seja um mero hobby, também não é o seu principal objetivo no dia a dia. “Para todos os efeitos, fazer música faz parte do nosso quotidiano”, completa o guitarrista.

Quanto a planos para o futuro, o grupo admite que não sabe “o que a pandemia pode trazer”. A banda, que ainda não se estreou em concertos ao vivo, afirma que tem feito “experiências mais musicalmente, do que em termos performativos” e que vai “esperar para ver o panorama e, talvez, surja oportunidade de experimentar algo novo”.

“Para todos os efeitos, fazer música faz parte do nosso quotidiano”

Relativamente à situação do setor cultural nos últimos meses, Daniel acredita que, com a pandemia, “houve muito a necessidade da experimentação na parte mais comunicativa, ou seja, de que novas formas nos podemos adaptar e apresentar para o público”. Refere-se aos concertos online, que, na sua opinião, são “uma nova forma de abordar música e performance”. Para Nuno, desta situação limitadora surgem “novos desafios que, se forem superados, podem conseguir um resultado interessante”, na forma como se comunica e apresenta determinadas coisas, enquanto artistas.