O Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor celebra-se esta sexta-feira, dia 23 de abril. Nesta data relembra-se os benefícios da leitura e incentiva-se à sua prática. Adicionalmente, reconhece-se o valor dos livros, como fontes de informação, de conhecimentos e cultura. De modo a sublinhar este dia, o ComUM sugere um conjunto de obras literárias que cedem ao leitor diversas viagens e experiências.

Editora: Relógio D’água

Orgulho e Preconceito (1813) – A obra mais celebre de Jane Austen, foi publicada pela primeira vez em 1813, e desde então nunca deixou de ser reeditada evidenciando a sua intemporalidade e universalidade.  O livro relata uma história de amor pujante, entre Elizabeth Bennett a arrebatadora heroína romântica, filha de um proprietário rural e Mr. Darcy um aristocrata reputado. O livro configura-se igualmente como uma crítica à sociedade patriarcal inglesa. A autora, com enorme engenho, ironia e sagacidade, concebe um enredo vigoroso e contagiante. Orgulho e Preconceito faz ponderar sobre uma suposta verdade universalmente conhecida: “um homem solteiro, em posse de uma boa fortuna, necessita de uma esposa” (Título Original: Pride and Prejudice).

Editora: 11 X 17

O Retrato de Dorian Gray (1890) – o único romance escrito por Oscar Wilde é, sem dúvida, um desafiador da moral mesmo dos dias de hoje. O jovem Dorian Gray é pintado pelo artista Basil Hallward. Encantado pela sua própria beleza inquestionável começa a indagar se terá ele mais alguma coisa que valha tanto a pena. Em efeito bola de neve, Dorian entrega-se ao hedonismo puro, ao narcisismo e à futilidade, mas também a uma obsessão pelo quadro que certamente não é normal. Um romance filosófico obrigatório para pararmos a pensar sobre a duplicidade de tudo. “Não existem boas influências. Todas as influências são imorais. O indivíduo deixa de pensar com os seus próprios pensamentos ou de arder com as suas próprias paixões” é uma citação que se distingue (Título Original: The Picture of Dorian Gray).

Editora: 247 S.A.

A Confissão de Lúcio (1914) – O livro é uma obra escrita por Mário de Sá-Carneiro, poeta de Orpheu. A história centra-se num triângulo amoroso: Lúcio, o amigo Ricardo, e a mulher do amigo, Marta. O livro circula em volta da confissão de Lúcio, que se declara inocente de um crime misterioso que só ele testemunhou. Na obra denotam-se certas obsessões do autor como o suicídio, a loucura e o amor pervertido. Ao longo da leitura podemos recolher, acima de tudo, o lado alienado da vida mundana. Tem a capacidade de nos deixar o pensamento a ecoar. É relevante pelo facto de sermos remetidos aos lados mais recônditos da vida, aqueles que categorizamos como alheios. Desta obra destaca-se a citação: “E a minha vida, livre de estranhezas, é, no entanto, uma vida bizarra – mas de uma bizarria às avessas. Com efeito a sua singularidade encerra-se, não em conter elementos que se não encontram nas vidas normais – mas sim em não conter nenhum dos elementos comuns a todas as vidas” Título Original: A Confissão de Lúcio).

Editora: Porto Editora

1984 (1949) – A mais famosa obra de George Orwell foi escrita em meados do século XX. No entanto, a história continua atual e com extrema importância nos dias de hoje. O protagonista, Winston Smith, vive numa sociedade em que todos são vigiados pelo Grande Irmão, o líder máximo de todo um continente fictício, chamado Oceânia. Nesta sociedade, o Grande Irmão, que aparece quase como uma entidade divina, lidera um partido que controla e monitoriza a população através de ecrãs televisivos que ficam espalhados por toda a cidade com o objetivo de vigiar os movimentos das pessoas. Acompanhando o protagonista, o leitor vai tendo acesso a vários pormenores do funcionamento deste mundo fictício e rapidamente se percebe que estamos perante uma distopia que funciona quase como que uma alegoria dos sistemas totalitários existentes no passado. “Guerra é Paz. Liberdade é Escravidão. Ignorância é Força”, é este o lema por que se rege o partido do Grande Irmão. E este jogo de palavras, que à primeira vista parecem apenas opostos, é na verdade a base de qualquer sociedade totalitária, e acaba por ser também a moral de toda esta obra intemporal (Título Original: Nineteen Eighty-Four).

Editora: BIS

O Deus das Moscas (1954) – Numa altura em que a Inglaterra estava com uma guerra nuclear em mãos, várias pessoas são enviadas de avião para fora do país. No entanto, esse avião despenha-se e aterra numa ilha deserta. Deste acidente sobrevive apenas um grupo de crianças. A princípio, o grupo consegue organizar-se e sobreviver, elegendo um chefe e tentando imitar os comportamentos dos adultos da sociedade civilizada onde viviam. Porém, com o avanço desta narrativa envolvente, William Golding mostra ao leitor, através de um retrato cru e arrebatador, como é que as crianças, que geralmente são símbolo de pureza e inocência, se vão corrompendo pelo medo e pela forma selvagem com que se habituaram a viver. “Tenho medo. De nós.” é uma das citações mais marcantes da obra porque, de certa forma, exprime a verdadeira natureza do ser humano, que mesmo tendo uma educação civilizada, colocado em certos contextos, pode tornar-se num “monstro” (Título Original: Lord of the Flies).

Editora: Bizâncio

Os Filhos da Droga (1978) – o livro de Christiane F., retrata conceitos como a toxicodependência, prostituição e violência doméstica. Infelizmente, estes conceitos continuam presentes na sociedade atual e são cada vez mais praticados pelos mais jovens. A história é inspirada na vida da escritora alemã, que viu a sua infância morrer devido a problemas familiares e más decisões. De certa forma, demonstra que o círculo familiar, as amizades e sobretudo as mudanças na vida de uma criança podem destruir uma parte desta. Dignidade, Autoestima e Coragem são os princípios crucias postos à prova nesta obra. É um livro que faz chorar e que apela às emoções facilmente. Além disso, a determinada altura cria uma incerteza no leitor, fazendo-o ponderar sobre os valores que realmente importam para cada um de nós. Assim, ressalvo a frase “quando dois drogados se tentam curar juntos, acabam por odiar-se” (Título Original: Christiane F. – Wir Kinder vom Bahnhof Zoo).

Editora: Paralela

O Alquimista (1988) – O livro de Paulo Coelho relata as viagens do pastor Santiago, quer pelo Norte de África à procura de um tesouro desconhecido, quer a de introspeção sobre o seu propósito de vida. Numa narrativa dotada de um intenso simbolismo, o autor brasileiro induz o leitor a um estado reflexivo acerca da existência humana e da procura de felicidade. A viagem de Santiago torna-se, inevitavelmente, a nossa. Assim como ele, durante a leitura, somos expostos às nossas sombras e ego, de forma a transcendê-los e encontrarmos a nossa Lenda Pessoal. A simplicidade formal da obra dá primazia à beleza e autenticidade da mensagem que pretende transmitir, num ritmo calmo e acolhedor, e sem grandes surpresas ou reviravoltas. O Alquimista recorda-nos que “quando queremos algo, todo o universo conspira a nosso favor” (Título Original: O Alquimista).

Editora: Companhia das Letras

Ensaio sobre a Cegueira (1995) – o romance português narra algo que talvez antes de 2020 nos fosse impensável, uma epidemia. A doença é uma espécie de cegueira branca altamente contagiosa. Com um pano de fundo praticamente pós-apocalíptico, a podridão moral humana e o seu instinto animal começam a emergir quando julgam que ninguém está a ver. São “300 páginas de constante aflição”, mas definitivamente um livro intemporal a não perder. “Penso que não cegámos, penso que estamos cegos, Cegos que veem, Cegos que, vendo, não veem” é uma ideia que marca o leitor. (Título Original: Ensaio sobre a Cegueira).

Editora: Editorial Presença

Harry Potter e a Pedra Filosofal (2001) – No Dia Mundial do Livro é importante relembrar as histórias que fazem qualquer leitor sonhar. Harry Potter e a Pedra Filosofal foi o início de uma jornada de leitura para milhares de crianças, em todo o mundo. Harry é uma criança de 11 anos que vive com os seus malvados tios e um primo extremamente mimado. A vida do jovem rapaz sofre uma reviravolta quando recebe uma misteriosa carta de Hogwarts, a conceituada escola de magia. Potter realiza então uma viagem de descoberta por um mundo mágico que desconhecia e aprende valores importantes como a coragem ou a lealdade. Harry Potter e a Pedra Filosofal é uma leitura obrigatória para todas as crianças que estejam a iniciar-se no mundo da leitura e para os adultos que ainda têm uma criança dentro de si. Desta forma, realço a frase “não vale a pena mergulhar nos sonhos para nos esquecermos de viver” (Título Original: Harry Potter and the Philosopher’s Stone).

Editora: Oficina do Livro

SDS – Sexo, Drogas e Selfies (2018) – O livro de Francisco Salgueiro retrata um caso de uma adolescência destruída. Numa linguagem crua, que não deixa ninguém indiferente, o autor conduz-nos através da destruição de uma jovem. Cada página que viramos é uma aproximação do fim e de uma destruição cada vez maior. No entanto, a obra aproxima o leitor daquilo que é, acima de tudo, uma realidade comum nos dias que correm. O livro, ao conduzir-nos através de uma mente instável como a da protagonista, faz-nos refletir sobre as vidas que parecem perfeitas, mas são tudo menos isso. A principal mensagem que se poderá tirar desta obra é a dimensão dos perigos no mundo da adolescência. Deste modo, SDS – Sexo, Drogas e Selfies é dirigida aos adolescentes, mas também aos seus pais, que muitas vezes menosprezam os sentimentos dos filhos. “Como amar alguém que já não quer ser amado? Não que o objeto do nosso amor tenha desistido de amar ou de sentir afeto por alguém. Apenas connosco” é uma das frases que se destaca do livro (Título Original: SDS – Sexo, Drogas e Selfies).

Artigo por: Andreia Morais, Catarina Roque, Leonor Alhinho, Maria de Pinto Freitas, Maria Mirra Gonçalves, Maria Sá, Patrícia Bessa, Patrícia Silva