Cada momento é único e irrepetível. A fotografia traduz-se na captação de alguns desses infinitos momentos. Além disso, representa uma das milhares formas de olhar o que nos rodeia, o mundo em que vivemos e cada pequeno detalhe nele existente.

Percebemos, desde logo, a exclusividade de cada fotografia. Cada momento é especial e, assim sendo, cada captura do mesmo também o é. Há muito que a nossa memória faz o trabalho de uma máquina fotográfica, ou da câmara de um telemóvel. Temos naturalmente a capacidade de reproduzir mentalmente o que vivemos no passado, de criar representações que se assemelham muito à realidade. A fotografia veio facilitar o trabalho aos mais esquecidos.

Há quem encare a fotografia como uma distração da realidade, eu gosto de vê-la como um complemento. A verdade é que muitos dos melhores momentos da vida acabam por ser desprovidos de um registo, o que não retira o valor aos que são captados. O tempo de um clique não nos impede de disfrutarmos de uma tarde com amigos, ou de um jantar em família. Cabe a cada um de nós saber gerir o tempo em que fica “ligado à máquina”. Este tipo de dispositivos são o que fizermos deles. Tornam-se uma distração da realidade, se assim o permitirmos. Podemos, por outro lado, fazer bom uso deles e encontrar o equilíbrio.

Na atualidade, manter este equilíbrio parece ser tarefa impossível. Muitas são as pessoas que desenvolvem vícios em torno destes dispositivos e, sobretudo, em relação às redes sociais. As imagens abundam e acabam mesmo por dominar estes meios e a relação que é criada com as mesmas nem sempre é saudável. É procurada a aceitação e atenção, sendo esquecida a genuinidade e o sentimento. Perde-se de vista a verdadeira essência de cada fotografia. Olhamos e nem sempre vemos. Um registo, até mesmo um retrato, é sempre mais do que aquilo que se avista. Por vezes, existe uma história, um momento especial, ou até mesmo um bonito acaso por detrás.

Gosto de pensar a fotografia como uma forma de arte. Sei que, cada vez mais, tem caído na normalidade e superficialidade dos nossos dias, mas na minha opinião existe um valor intrínseco, que carece de ser novamente encontrado. Só faz sentido quando o reconhecemos e quando voltamos a atribuí-lo, de formas diferentes e únicas. Cabe a cada um olhar com mais atenção e ver com maior clareza.