No passado dia 16 de abril, a banda The Offspring pôs fim à espera de quase uma década por parte dos fãs. Depois do último álbum lançado em 2012, Let the Bad Times Roll chega da melhor forma possível, mantendo vivo o tão poderoso punk rock/ skate punk da banda americana.

De facto, pode-se afirmar este novo trabalho como um projeto skate punk, uma vez que grande parte das músicas são conseguidas através de drummings rápidos e poderosas guitarras principais, combinadas com rápidos riffs e solos. Muito semelhante ao som dos Bad Religion, presentes no início da subcultura do skatecore.

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Logo na primeira faixa, a música “This Is Not Utopia”, introduz um punk mais acelerado do que o normal. Conjugado com a potente voz de Holland, transmite a ideia de revolta presente na letra sempre com um carater irónico.

Logo de seguida, vem o single que deu o nome ao álbum “Let The Bad Times Roll”, com riffs heavy rock excelentes a fazer os versos, seguidos de um refrão alegre que compõe a faixa na perfeição. Torna-se, muito provavelmente, numa das melhores músicas presentes, a nível de comercialidade, neste projeto. A letra, principalmente no refrão, não deixa de se adequar aos tempos complicados que o mundo atravessa, dado a repetição da frase “let the bad times roll”.

No entanto, o projeto volta a viajar para o poderoso punk dos The Offspring em “Behind your Walls”. A música, curiosamente, relata problemas como a depressão que, por vezes afeta amigos da banda. Holland, num comentário à música na Apple Music disse: “Parecia que estava a escrevê-la para um amigo…” e acrescentou “As bandas punk com que cresceu são diferentes nesse sentido…”,“Os punks não têm medo de falar em depressão, isso ajudou-me”.

Depois de “Army Of One” e “Breaking These Bones”, duas músicas igualmente potentes num registo skate punk, vem o singleComing For You”, lançado em 2015. Integra, finalmente, o álbum porque tanto esperou, uma vez que, na altura, Noodles, guitarrista da banda, afirmou no Twitter que o single iria estar no próximo álbum da banda.

Segundo o vocalista, “talvez seja punk não se ser só punk” e a faixa “We Don´t Have Sex Anymore” é um excelente exemplo disso mesmo. A música ganha uma essência jazz, que se faz notar principalmente com um som de clarinete ao longo das bridges, mas também através da melodia funk composta no baixo, acompanhada pela simples sequência de acordes na guitarra. Para além da diferenciação na música, também o tema que Holland aborda na letra foge ao habitual, pois parece explicar algumas das suas inseguranças no casamento.

O álbum continua com uma pequena interlude em “In The Hall Of Montain King”. Segue-se “Opioid Diaries” que, na minha opinião, é a música mais interventiva socialmente a nível lírico do álbum. Nesta faixa, o cantor da California aborda o aumento de dependência de drogas por parte da sociedade e enfatiza que essa dependência está cada vez maior nos Estados Unidos, muito devido a pessoas com dores normais, que são prescritas com comprimidos altamente viciantes.

Quase a terminar, aparece “Hassan Chop”, uma música sobre os problemas do Médio Oriente num registo punk hardcore. “Gone Away” é uma faixa que se destaca por ser muito mais calma do que as restantes, ao som de um piano mais melódico.

A música “Lullaby” aparece no fim, mesmo como uma conclusão do projeto, uma espécie de loop espiral que reforça a mensagem que o grupo pretende que fique deste projeto para o mundo atual – “Let The Bad Times Roll”.

Um álbum musicalmente muito bem composto, cheio de punk, de letras interventivas e de energia. Nada que não fosse de esperar de uma das melhores bandas rock das últimas décadas como são os The Offspring.