O Espião Inglês é uma obra cinematográfica inspirada em eventos reais que nos permite entrar no mundo dos anos 60, em plena Guerra Fria. A longa-metragem é um bom filme, bem escrito e bem pensado. Porém, não há muita ação, é um pouco parado, e não capta particularmente a atenção do espectador. No decorrer da narrativa, apercebi-me de que o início é o seu maior calcanhar de Aquiles. É confuso, aborrecido e não é de todo imprescindível para o entendimento dos restantes momentos. Contudo, à medida que se vai desenrolando, cativado cada vez mais o espectador para saber o final.

Greville Wynne era um empresário que fazia negócios com o Oriente. Quando surgiram rumores de uma toupeira no governo da União Soviética, os serviços secretos britânicos e Emily Donovan da CIA, decidem chamar Greville a servir o seu país precisamente devido ao seu aspeto banal.

Visualmente, O Espião Inglês é um filme com uma imagem extremamente cuidada. O que se destaca mais é o jogo de cores entre os diferentes cenários. Inglaterra é fortemente marcada por tons quentes que transmitem conforto. Contrariamente, a Rússia é pautada por tons frios e céus acinzentados. A Oriente, demonstram a solidão das personagens que lá viviam e a Ocidente a folia de viver. Também as paisagens e os cenários refletem imenso o estado de espírito das personagens. Para além do que é característico da época, à medida que a história ia avançando e ficando mais pesada, os cenários ficavam mais despidos e escuros.

Uma das melhores características da obra é, sem dúvida, a banda sonora.  Se fecharmos os olhos, conseguimos sempre identificar onde se passa a ação naquele momento. Embora o estilo russo esteja mais proeminente, também há fortes influências do estilo ocidental.

Em termos de performance, todos os atores estão de parabéns. No entanto, o ator principal,  Benedict Cumberbatch, interpretou o papel de forma brilhante. Notamos o empenho que este investiu no papel, através das modificações corporais das quais foi vítima. A imagem dele, a princípio, era a de um homem confiante, elegante e cheio de vida. No final, enquanto estava preso, ficou irreconhecível. Rapou o cabelo, ficou extremamente magro e não tinha mais nada a perder. Torna-se mesmo impossível não ficar comovido com a sua história.

Em termos de escrita, a longa-metragem deixou um pouco a desejar. É uma excelente história, mas por vezes é cansativa e demasiado pesada. Torna-se extremamente complicado manter o foco e não nos aborrecermos a meio, mesmo que o final até valha a pena.

Em suma, o filme é muito bom para quem gosta de dramas históricos. No entanto, não tem grande ação, então pode tornar-se maçador. No geral, continua a valer a pena ver, quanto mais não seja pela atuação incrível do protagonista.