O Rapaz do Bosque, lançado em Portugal em março deste ano, traz-nos desaparecimentos, lutas de poder e personagens interessantes cobertas de mistério. Apesar de não ser a obra mais genial de Harlan Coben, é uma leitura dinâmica e capaz de entreter os fãs do género.

A mais recente obra de Harlan Coben, dá-nos a conhecer Wilde. Este rapaz, agora homem, foi encontrado a viver no bosque há trinta anos e não se conseguia lembrar minimamente da sua origem. A passagem do tempo não lhe trouxe memórias certas. Recentemente, Naomi Pine, uma jovem, desaparece. Existe, contudo, algo muito estranho neste caso. Ninguém parece estar muito preocupado com este desaparecimento. Crimstein, advogada, devota-se a esta situação peculiar e pede ajuda a Wilde. A premissa é interessante e não faltam segredos e jogos de poder para desvendar, muito menos um novo desaparecimento. Ademais, o livro aborda alguns temas bastante pertinentes assim como o abuso de justiça, de poder e o bullying.

Wilde foi uma personagem como já há algum tempo não encontrava. O mistério que o envolve faz dele complexo, mas sem se tornar cansativo. Considero, igualmente, que Crimstein não lhe ficou atrás. Esta personagem, bastante sincera e motivada, faz uma dupla com o protagonista que lhes devia valer uma sequela.

No entanto, há outros motivos menos felizes que nos fazem pedir uma nova obra. A certa altura fica-nos a sensação de que o autor se perdeu na estória. A atenção é conferida a um aspeto e outros são deixados um pouco de lado, o que faz com que cheguemos à conclusão com algumas pontas soltas. Senti, também, que algumas situações foram explicadas de forma apressada e sabemos a conclusão de “depressa e bem…”. Se o objetivo for deixar a curiosidade para um possível novo lançamento, a missão é cumprida. Se esse não for o caso, torna a obra que tinha muito por onde primar algo desleixada.

Não obstante destas falhas no enredo, continua a ser uma obra que vale a pena. O mistério e a escolha de palavras fazem com que a leitura se torne rápida e viciante. Não é, de todo, um livro de uma vida, no entanto a premissa é interessante e tem tudo para entreter. O Rapaz do Bosque é, sem dúvida, uma boa companhia para as alturas em que queremos ler, mas não temos muita cabeça para dedicar ao enredo.