Rui Neto, treinador do OC Barcelos, e Gonçalo Neto, jogador da Juventude de Viana, são pai e filho e naturais de Viana do Castelo. Atualmente, disputam a I Divisão do Campeonato Nacional de Hóquei em Patins.

Rui Neto começou a dar os primeiros passos no Hóquei em Patins aos dez anos, através de um vizinho que o desafiou a experimentar, na sua cidade natal. O vianense fez a formação quase toda em Viana do Castelo e, aos 17 anos, mudou-se para o FC Porto, onde se estreou como sénior. Enquanto jogador, passou pelo OC Barcelos, FC Porto, AD Valongo e Juventude de Viana.

Aos 35 anos, terminou a carreira como jogador profissional de Hóquei em Patins e envergou pela carreira de treinador. O técnico começou pelo Famalicense, depois voltou a casa, à Juventude de Viana e foi selecionador nacional entre 2009 e 2013. Ainda passou pelo HC Braga e atualmente encontra-se no OC Barcelos.

Desde cedo que Gonçalo Neto acompanha a modalidade e a escolha pela prática deste desporto foi algo natural, pois sempre acompanhou o tio e o pai. O atleta começou por patinar aos três anos e, depois, foi sempre evoluindo. A formação foi toda feita na Juventude de Viana, clube que atualmente representa e que aposta nos jovens jogadores.

Em entrevista ao ComUM, Gonçalo Neto recordou o Europeu de 2012, como sendo algo que ficou “na memória, porque tivemos [Seleção Nacional] perto de ganhar”. O atleta reconheceu que “foi algo muito emotivo”, porque acompanhou ao vivo e sentiu que o pai estava ali a representar o país. Para ele, “foi um motivo de orgulho enorme e de satisfação”.

 

Já Rui Neto recordou o percurso do filho. Como pai, acompanhou toda a formação do rebento, até à sua chegada aos sub-17: o Rui adepto passou a ser o Rui treinador. Nenhum dos dois tem boas recordações desta época, pois, de acordo com o timoneiro, este exigia sempre mais do filho. “O ideal deve ser procurar o equilíbrio, não devendo ser nem oito ou oitenta, no entanto, exigia-lhe sempre 80”.

A chegada do Gonçalo a jogador profissional foi, tal como a sua escolha pela modalidade, algo natural. Quando foi ao torneio de inter-regiões, onde representou o Minho, ficou no cinco ideal e, desde aí, começou a perceber que tinha capacidades para se tornar jogador profissional.

A par do Hóquei, o atleta minhoto frequenta a Universidade do Minho, no mestrado integrado em Engenharia e Gestão Industrial. Gonçalo está habituado a conciliar os estudos com o desporto, já que sempre fez isso toda a vida. No entanto, à medida que o grau de exigência foi aumentando, o atleta vianense optou por deixar outras coisas de parte para se dedicar aos estudos e ao Hóquei. O pai sempre o apoiou pois considera importante “ter ferramentas e nunca ter de depender unicamente do Hóquei”, já que não é fácil viver apenas da modalidade.

O encontro entre pai e filho, dentro das quatro linhas, já aconteceu por cinco vezes. Antes dos jogos, em casa, normalmente nenhum fala da partida. Depois, “durante aqueles 50 minutos em que estamos na pista acabamos por esquecer da parte familiar e cada um se foca nos interesses do seu clube”, refere Rui Neto. Até agora, o pai saiu vencedor de todos os duelos, mas ambos consideram que levam isso de uma forma saudável.

 

Gonçalo tem como principal ambição afirmar-se na primeira divisão, para depois poder começar a pensar noutros objetivos. Apesar de o jogador não esconder o sonho de vir a representar a seleção de Hóquei em Patins, considera que ainda é algo muito prematuro. Já Rui Neto tem como desejo ganhar títulos pelo clube que representa neste momento, o OC Barcelos, e “fazer com que o clube se afirme cada vez mais no mais alto patamar nacional”, refere.

Além de Gonçalo, o filho mais novo do técnico barcelense, Martim Neto, encontra-se a dar os primeiros passos no Hóquei nacional, integrando o conjunto do SL Benfica. Rui considera não ter receios e aconselha os filhos a se “preparem mentalmente para as situações de maior pressão e de terem um papel, menos ou mais ativo, nos clubes que representam”. Além disso, acredita que os filhos se devem focar naquilo que controlam e devem aprender a lidar com as decisões dos treinadores. “Quanto mais preparados forem mentalmente mais bem preparados estão para superar as adversidades”, conclui.

Sempre que pode, Rui Neto vê os jogos do filho e, depois, tenta dar dicas e explicar-lhe coisas que ele poderia ter feito melhor em campo. Já o Gonçalo considera que o pai teve um “excelente percurso”, tanto como atleta como treinador, e realça a personalidade e competitividade do pai, que vê como referência para o seu percurso.

Com vários anos na modalidade, Rui Neto considera que, em Portugal, o Hóquei em Patins é cada vez mais valorizado. “Neste momento, o campeonato de Portugal de Hóquei em Patins é o melhor do mundo, porque tem os melhores jogadores, excelentes treinadores e existe um investimento por parte dos clubes”, justifica. O técnico refere que quando Portugal joga internacionalmente está presente na luta por títulos. Apesar de, para Rui, não ter o devido reconhecimento, a família vê imenso valor no Hóquei em Patins.