Lançado no dia 8 de junho de 2021, EAT (NXT Soundtrack) é o quinto EP de Poppy. Após se aventurar no metal com I Disagree, a artista cimenta o seu lugar dentro do género com este projeto.

Após um passado no mundo do pop, Poppy lançou em 2020 o seu primeiro álbum metal chamado I Disagree. Uma das faixas, “BLOODMONEY”, foi nomeada para o Grammy de Melhor Performance Metal. Assim, não é de estranhar que este EP nos mostre uma Poppy cada vez mais embrenhada no universo do metal.

metalinjection.net

A primeira faixa intitula-se “EAT” e aborda o tema dos distúrbios alimentares. A letra fala sobre as consequências físicas e psicológicas destas doenças. Por exemplo, “o meu corpo é uma confusão” ou “mas eu tenho vergonha, tenho medo”. Esta música destaca-se pelo grande uso de distorção na voz o que torna os gritos de Poppy ainda mais impactantes.

A segunda faixa chama-se “Say Cheese” e é o maior destaque deste EP. É aqui que podemos ouvir a performance vocal mais ambiciosa por parte de Poppy. O instrumental é pesado e conta com épicos riffs de guitarra. Contudo, a parte mais memorável é o pequeno interlúdio jazz com uma voz soft a falar em japonês. Assim, transporta-nos para um restaurante algures no Japão. Isto cria um contraste enorme típico das músicas de Poppy, porém, este é sem dúvida o contraste mais original e criativo de todos.

A faixa seguinte é “CUE” e trata-se de uma espécie de hino à destruição do mundo. Deste modo, conta com a enumeração de vários perigos à humanidade. Instrumentalmente, frenéticos padrões de bateria criam um ritmo de marcha que condiz com a letra do refrão: “marcha até o fim do mundo”. O outro final faz lembrar o de “BLOODMONEY”, faixa do seu álbum anterior, com um piano simples e a voz clean de Poppy.

Na penúltima canção do EP, “Breeders”, é abordado o tema da transmissão de valores corrompidos entre gerações. Daí versos como “reproduz outro hipócrita, reproduz outro mentiroso”. Esta é faixa mais fraca do projeto: a letra não vai muito a fundo no tema e o instrumental não é tão criativo quanto os restantes.

A última faixa é “Dark Dark World” e percorre temas de desequilíbrio de poder entre o governo e cidadãos comuns, comparando a corrupção a uma guerra a ser travada. No instrumental, destaca-se o uso de sintetizadores que dão um toque industrial à faixa.

Concluindo, este EP mostra novamente que Poppy é uma artista única e criativa que não impõe limites às suas próprias capacidades. Aventura-se cada vez mais com gritos metal e sons mais pesados, sem nunca abandonar o seu lado criativo e experimental. Podemos até considerar que, ao expandir o seu próprio som, Poppy está a expandir aquilo que é ou não considerado metal. Assim, podemos vê-la como uma das artistas mais interessantes e entusiasmantes do panorama metal atual.