Em janeiro, o livro já tinha sido eleito, pelo blogue Almanaque Republicano, o melhor livro em História Contemporânea Portuguesa publicado em 2020.

José Manuel Lopes Cordeiro, investigador da Universidade do Minho, venceu o Prémio Grémio Literário 2020 com a obra “1820. Revolução Liberal do Porto”. O livro inclui ilustrações inéditas e novas revelações sobre a primeira tentativa de implantação do liberalismo em Portugal, valendo ao historiador o galardão literário instituído há 175 anos.

Em declarações à RUM, José Cordeiro admitiu que a entrega do prémio foi uma “surpresa total”, uma vez que a distinção é atribuída “não com base em candidaturas”, mas sim “decidida pelo próprio Grémio Literário de Lisboa”.

O professor aposentado da UMinho e investigador do Centro Interdisciplinar de Ciências Sociais (CICS) explica que o livro parte da exposição homónima que teve lugar no ano passado na Casa do Infante, no Porto, onde foi apresentado um documento histórico de um livro de vereações, que contém o auto geral da Câmara do Porto a 24 de Agosto de 1820 em que é dada posse à Junta Provisional do Governo Supremo do Reino.

“Durante 200 anos nunca ninguém tinha visto esse livro. É um documento de uma importância histórica enorme porque é o documento fundador do constitucionalismo em Portugal”, refere José Cordeiro. Explica que os absolutistas rasuraram, posteriormente, o livro com tinta preta, porém o auto geral já tinha sido amplamente reproduzido em folheto e na imprensa.

Além desta revelação, a obra do historiador desmistifica também o papel do tenente Aurélio José de Morais na adesão de Lisboa ao movimento revolucionário do Porto. “O que a historiografia portuguesa tem vindo a dizer nestes 200 anos é que foi Aurélio José de Morais quem sublevou as tropas ao Rossio, onde foi proclamada a adesão à revolução do Porto. Na realidade, não foi bem assim. A documentação que eu encontrei diz-nos que o tenente Aurélio não teve a importância que atribuiu a si próprio e que o movimento de Lisboa foi conduzido por outros militares”, esclarece.

O investigador da UMinho vai receber o prémio esta terça-feira, no Grémio Literário de Lisboa, numa cerimónia agendada para as 19 horas. O galardão consiste numa escultura de José de Guimarães.