A agência pauta-se pelo lema de “Levar o Local até ao Digital”, partilhando conhecimento e experiência.
A Re-Up – Agência de Marketing e Comunicação é um projeto bracarense, lançado no mês de maio e criado por quatro jovens de Braga. O ComUM conversa com Daniel Teixeira (DT), Alexandre Oliveira (AO), Ana Sofia Coelho (SC) e André Silva (AS) que apresentam a sua empresa, discutem desafios e objetivos, deixando conselhos a quem deseja fazer o mesmo.
ComUM: Para começar, o que é este projeto? Gostaríamos que fizessem uma breve apresentação.
DT: Tudo começou com um anúncio no OLX, onde conheci o Alexandre. Antes já tinha a ideia de que queria algo diferente para a minha vida. Ou seja, como as empresas não respondiam às minhas propostas de emprego, percebi que tinha capacidade e que estava pronto para dar o próximo passo, sendo que tinha conhecimento dentro da área. Depois de ter colocado o anúncio, demorou, mas apareceu o Alexandre, que se aliou à minha ideia, que era construir uma agência de marketing e comunicação, diferente das outras e que fosse mais ao encontro dos negócios locais.
ComUM: Em relação ao nome da agência. Como é que surgiu?
AO: Tivemos um debate de ideias intenso para decidir um nome. Até chegarmos a este, demorou dois dias. O nosso primeiro nome até foi “Breakers” antes de “Re-Up”. O que nos ocorreu foi que em 2019 estava tudo bem e que depois 2020 veio estragar tudo. Então questionamos. “Porque não voltar a 2019? Fazer um re-upload?” Neste caso, aplicado às empresas e aos negócios locais. Muitos deles fecharam, outros continuaram, mas com dificuldades em recuperar a sua atividade normal e nós queremos dar essa ajuda. Daqui nasceu então o “Re-Up”. No nosso logótipo também temos a referência com os balões do filme “Up” para mostrar a ideia de elevar os negócios ao próximo nível.
ComUM: Como é que foi toda a preparação até à data de lançamento do projeto?
DT: Foi um processo atribulado. Principalmente cheio de entrevistas para selecionar alguém para completar a equipa. Até fiquei impressionado com a quantidade de respostas que obtivemos. Conseguimos contradizer aquilo que se costuma dizer: de “os jovens agora não querer fazer nada”. Entretanto já tínhamos o André que me tinha contactado, mas queríamos alguém que cobrisse uma área diferente da nossa, ainda que relacionado com marketing e comunicação. Foi aí que surgiu a Sofia.
AO: Tivemos de planear tudo. Fazer as entrevistas foi um processo engraçado porque estivemos do lado dos entrevistadores, do recrutamento. E não do outro lado, enquanto entrevistados. Conseguimos rever-nos nas pessoas que entrevistados, a sentir aquele nervosismo. Por exemplo, na Sofia e no André eu consegui ver-me de quando era eu numa entrevista de emprego: o estar lá sem saber o que me vão perguntar e sem saber exatamente o que querem que responda, e ao mesmo tempo a tentar ser o mais politicamente correto… Nós também tentamos dificultar as perguntas e a mais “famosa” até foi a da “qual é para ti a definição de marketing?”. Muitos souberam responder logo, outros ficaram à toa. Mas também não é que haja uma definição certa de marketing, então não havia ninguém exatamente errado, nem completamente certo. Isto durou cerca de um mês. Entretanto estudamos também como seria a nossa marca, qual era o nosso público-alvo, que tipo de conteúdo podíamos adaptar nas redes sociais, etc. Até que no dia 19 de maio lançamos então a nossa marca.
ComUM: Como é que descrevem toda a experiência de serem freelancers de um projeto que se iniciou do 0?
SC: Não é fácil. Mas o que eu posso dizer é que toda a gente teve e tem de ser resiliente. Começar custa sempre, é irmos tentado fazer as coisas aos poucos.
AS: O que ajudou foi também termos uma química e de sermos todos jovens. Normalmente quando se trabalha com alguém mais velho, que tenha mais experiência, eles tendem a querer mandar em nós. Neste caso, isso não existe. Nós ajudamos e ouvimos a opinião dos outros.
AO: É difícil de arranjar uma equipa que consiga conciliar as suas capacidades e competência, em vez de se atrapalharem. É necessário que se saibam ajudar. E o facto de termos isso ajudou a arrancar com este projeto mais facilmente. Em relação a ser freelancer, eu iniciei quando estávamos no pico do Covid-19, o que tornou a situação mais complicada e onde a motivação tinha de ser todos os dias apicaçada, tive de ser resiliente. Encontrar esta equipa foi mesmo uma almofada de ar fresco para recarregar as energias.
ComUM: Neste projeto, quais são os principais desafios que têm vindo a encontrar?
SC: O principal desafio é confiar em nós próprios e nas nossas capacidades. Há sempre a insegurança do “apenas andamos na faculdade, não temos muita experiência”, mas a verdade é que sabemos coisas. E aqui estamos a tentar ultrapassar essa barreira.
AO: Por vezes pensa-se que os jovens saem da faculdade sem ter a experiência do dia a dia, mesmo que se pense que tenham o ritmo dos trabalhos e assim, isso não é suficiente. As empresas pedem sempre experiência, mas se eu nunca trabalhei não posso ter experiência. É isto que os jovens sentem e incluindo, nós. Neste projeto, é preciso estar sempre à procura de conhecimento novo, estar sempre atualizado e falar com o máximo de empresas de vários setores, para termos o maior conhecimento possível, para que consigamos adaptar e personalizar a nossa oferta.
ComUM: Que objetivos pessoais e enquanto grupo têm para este projeto?
AO: O objetivo é ter esta agência a evoluir todos os dias, para talvez crescer para um espaço físico e depois para ter contactos além de Braga. Queremos alargar o nosso território e quem sabe até ser internacional. Queremos é destacar-nos pela diferença de destacar-nos sempre nos negócios locais, que representam tanto do tecido empresarial do país, especialmente aqui em Braga.
SC: O principal objetivo que vejo, para mim, é aprender. Eles sabem coisas que eu não sei e eu também sei algumas coisas que eles não sabem, vamos aprendendo uns com os outros. Por isso, o objetivo, para além de levar o nosso negócio mais para cima, como é o “up”, é mesmo reforçar os nossos conhecimentos.
DT: Partilho da mesma opinião. O objetivo da empresa é começar em Braga, depois para Portugal e, depois, para o mundo. E tenho a certeza que vamos conseguir, temos aqui uma equipa muito forte e temos uma química muito boa, partilhando todos os mesmos objetivos. Pessoalmente, quero crescer todos os dias.
AS: Quando entrei para a Re-Up também percebi que partilhamos a mesma opinião que eu. Querer crescer, querer investir em si próprio e foi isso que encontrei aqui. A partir daqui o objetivo é criarmos algo juntos.
SC: E o facto de termos o nosso próprio negócio dá-nos mais autonomia. Não temos de estar dependentes de um patrão que de repente se lembra e já não fazemos falta à empresa, ou assim do género. Assim, mais liberdade, por assim dizer.
AO: Fizemos a transição do plástico descartável para sermos algo mais permanente. Não somos a última bolacha do pacote, usando as expressões todas, mas também não queremos ser descartáveis. “Hoje estás aqui nesta posição, amanhã vem outro” e andamos sempre a substituir, para baixar os custos e é o normal das empresas. Mas nós temos um núcleo duro que dificilmente será substituído.
ComUM: Que conselhos deixam a quem tem o desejo de fazer o mesmo que vocês?
SC: O principal conselho é arriscar, como nós arriscamos. É pegar, ter a ideia e seguir para a frente.
DT: E nunca desistir, ser persistente.
AS: Acho que o principal é mesmo a resiliência. Porque é difícil no início, trabalhar, trabalhar, trabalhar e não ter os resultados que desejamos. Então é preciso tu mesmo e a tua equipa conseguirem manterem-se sempre focados no que querem atingir.
SC: E ao início é sempre tudo muito vago. Eu quero atingir “aquilo”, mas…onde é que está “aquilo”? Mas a partir do primeiro cliente, da primeira publicação, no nosso caso, tivemos um feedback positivo, e as coisas começam a andar naturalmente.
AO: E, se as coisas correrem mal, se houver alguma publicação que não corre muito bem, um contacto com um cliente que também não é assim grande coisa, é não desistir. É continuar e perceber porque é que se falhou e ter, como hoje as empresas falam, mas sendo um conceito muito abstrato, muitas vezes nem sabem o que isso é, inteligência emocional. Saber pôr-se no lugar do outro, puxar pelo outro quando se consegue perceber que não está bem, ser líder quando for preciso. Na nossa equipa, não há um líder. Somos todos, temos todos essa capacidade de quando algo não está bem orientado, alguém tem sempre a capacidade de puxar os outros.
ComUM: Quais são os próximos projetos da Re-Up?
AO: Uma das próximas etapas é passar também um pouco da nossa experiência a outros jovens, que já o estamos a fazer, mas, por exemplo e adiantando já aqui alguma coisa, vamos fazer algumas palestras. Isso é importante por muito alunos e eu mesmo, quando fazia parte do núcleo de estudantes de Marketing da Universidade do Minho, sentia que fazia falta palestras de pessoas importantes, pessoas que percebem da área para passarem algum conhecimento. E se nós conseguirmos ser esses “especialistas”, parte da nossa missão já fica cumprida. Porque é dos nossos valores e da nossa responsabilidade social fazer parte da comunidade, tanto nos negócios locais como nas escolas e universidades – a mais perto, neste caso, é a Universidade do Minho. E por lá, talvez, começaremos.
SC: Acho que é isso. É continuarmos, primeiro, com o nosso negócio, é fundamental, e temos clientes e trabalhamos para eles e para os ajudar da melhor maneira. Queremos ser a ajuda essencial para levantar um negócio completamente – o digital é mesmo isso, uma porta para levantar os negócios. Neste aspeto, estes são os nossos principais projetos. E depois tudo o que o Alexandre já disse, como chegar à comunidade, mas de uma forma diferente.
AO: De uma forma mais informal, mais fácil de perceber. Dar um conteúdo que não seja o que vemos em muitas agências: “4 dicas para”, “5 dicas para”. Não vamos ser esse tipo de agência. Vamos transmitir o conteúdo de forma não tão formal, queremos desconstruir e tirar alguns clichés que existem, porque nós também somos isso. E claro, nós queremos trabalhar, não podemos passar todo o conteúdo todo para que as pessoas façam por elas mesmas. Lá está, a definição de criatividade, a arte de esconder as fontes, nós também queremos isso. Queremos ser criativos dessa forma. Mas o grande projeto é mesmo passar conhecimento para a comunidade e quanto melhor o fizermos, acho que vai ser positivo para ambos os lados. É assim que evoluímos e criamos novos objetivos. Também estamos a estrear conteúdo de vídeo e continuaremos, será mais a nossa aposta. Vamos aumentar as nossas capacidades.
SC: Posso só acrescentar que, mais do que conhecimento, é passarmos também a nossa experiência de se a oportunidade não te surge, cria tu a tua própria oportunidade. E foi isso que nós fizemos. Se não tivermos aquilo que queremos, que não é fácil ao início, eu também estou a acabar agora a licenciatura, entreguei o meu projeto final há uma semana, mas criei eu a oportunidade, juntei-me a eles. Isso acho que é muito positivo.
AO: E aí, resume-se o melhor conselho que podemos dar: dá uma oportunidade a ti mesmo.
Artigo escrito por: Gabriela Ferreira e Tânia Soares



