Existem três listas a concorrer à representação dos alunos no Senado Académico.

A eleição dos representantes dos estudantes no Senado Académico da Universidade do Minho acontece na próxima quarta-feira, dia 28 de julho. Este é o último ato eleitoral do ano letivo e a votação ocorrerá totalmente online, através da plataforma e-VotUM.

De modo a facilitar uma decisão mais ponderada e consciente, o ComUM elaborou um resumo das principais propostas e ideias de cada uma das listas candidatas.

Lista A – Agir pela Academia

Encabeçada por Rodrigo Dinis, estudante do 1.º ano de Relações Internacionais, a missão da lista assenta em quatro pilares: igualdade de oportunidades, inclusividade na Universidade, envolvimento dos estudantes e sustentabilidade.

Assim, a lista reitera a necessidade de abolir as propinas dos cursos do 1.º Ciclo, considerando que “a propina não pode continuar a barrar os sonhos e ambições dos estudantes, não devendo ser a principal fonte de financiamento da universidade”. Defende ainda a procura de mais soluções de habitação e alojamento para os estudantes, tendo por certo que “são necessárias soluções ousadas, sem mais demora”.

Relativamente ao tópico “inclusividade na universidade”, a lista afirma ser imperativa a defesa dos Direitos Fundamentais de cada estudante, considerando que “a dignidade da pessoa humana não é um detalhe, é uma diretiva”. Exige ainda uma crescente valorização da saúde mental da comunidade estudantil e uma maior integração dos estudantes internacionais.

Por outro lado, reivindica um maior envolvimento dos estudantes nos órgãos de poder e a criação de mais mecanismos de comunicação, assumindo que “os decisores da Academia devem estar mais próximos de todos”. Opõe-se ao atual Regime Jurídico das Instituições do Ensino Superior, que segundo a lista, tem provocado “uma diminuição da capacidade reivindicativa dos estudantes na generalidade dos órgãos”.

No que diz respeito ao tema da “sustentabilidade”, a lista acredita que é fundamental desenvolver campanhas de sensibilização junto dos estudantes, de modo a alertá-los para a situação climática e ambiental do planeta. Sustentam igualmente que “o contínuo investimento na transição tecnológica é da maior importância”.

Por último, os membros da lista partilham a convicção que são “os estudantes a base e o fim do Ensino Superior, e deverão agir como tal, assumindo o fardo de construir o amanhã”.

 

Lista B – A Voz da Academia

A lista B tem como cabeça de lista Joana Fraga e conta com o envolvimento de estudantes de todos os campi da Universidade. A sua proposta eleitoral fundamenta-se em nove princípios orientadores: diversidade da equipa, ação social, compromisso, cooperação, inclusão, participação, ética, transparência e exigência.

Em primeiro lugar, a lista defende a redução progressiva do valor da propina, a qual considera ser “uma das primeiras condicionantes aquando do processo de transição para o Ensino Superior”. Reivindicam igualmente a criação de programas específicos para os estudantes de origem CPLP e a abolição das taxas e emolumentos cobrados pelas instituições do ensino superior.

Relativamente à situação do alojamento estudantil, a lista B exige o reforço da oferta, afirmando que a procura por habitação “sujeita os estudantes e as suas famílias a esforços desmedidos pela prossecução de uma educação superior”. Além da construção de novas residências universitárias, proclamam a renovação das existentes, garantindo que “é por demais óbvia a urgência na adaptação das mesmas”.

A lista B considera ainda que é necessário “investir em mais recursos humanos no processamento das candidaturas à Bolsa de Estudos”, bem como aumentar o número de alunos que são elegíveis para as bolsas. Garantem igualmente que é fundamental adaptar o valor da bolsa de estudos do 2.º Ciclo à realidade e às necessidades dos estudantes.

Um dos focos principais da lista candidata é a saúde mental. Os membros da lista exigem, portanto, “um acompanhamento próximo e a criação de redes de apoio na comunidade”. Consideram que é imprescindível “não só resolver os problemas já existentes, mas também travar o desenvolvimento de problemas desta índole em estudantes não afetados”.

Em conclusão, os candidatos da lista B prometem “continuar a debater assuntos que os outros insistem em varrer para debaixo do tapete, continuar a avaliar os docentes e a participar de forma ativa nas discussões”.

 

Lista C – dos alunos para os alunos

Presidida pela estudante Jéssica Valente, a lista C assume-se com “o objetivo de representar e defender os direitos e interesses de todos os estudantes”. A proposta eleitoral da lista tem por base os seguintes princípios: propina, ação social escolar, Processo de Bolonha, regime fundacional, estudantes internacionais.

Relativamente à propina, os candidatos da lista consideram ser “um dos maiores entraves para a entrada dos jovens no ensino superior”. Afirmam que Portugal é um dos países mais caros da União Europeia para frequentar o ensino superior e, por isso, reivindicam a gratuitidade no acesso. Garantem que esta medida proporcionará “a elevação do nível cultural, educativo e científico do país”.

A lista C defende ainda que é necessário “garantir o pagamento atempado das bolsas de estudo por parte dos SASUM” e assegurar “apoios financeiros para a aquisição de material” para os vários cursos. Por outro lado, reivindicam a construção de novas residências universitárias de modo a “responder às necessidades dos alunos”. Referem igualmente a urgência de promover políticas de sustentabilidade e de criar programas de auxílio aos alunos que concorrem a Erasmus.

Nomeadamente ao Processo de Bolonha instaurado em 2006, a lista posiciona-se negativamente em relação à sua implementação. Considera que provocou a “degradação da formação e a elitização dos diversos graus, criando no Espaço Europeu do Ensino Superior uma grande barreira de competitividade”.

No que diz respeito à possível revogação do regime fundacional, a lista incentiva à “manifestação dos estudantes contra o fim do regime e o regresso ao estatuto de Instituição de Ensino Superior Público”. Afirma que este modelo tem proporcionado a “crescente empresarialização do ensino superior”.

Os membros da lista demarcam ainda a sua posição negativa em relação à discrepância existente entre o valor das propinas de um estudante nacional e de um estudante internacional. Afirmam que além de pagarem valores mais elevados, os estudantes internacionais não são abrangidos por vários subsídios de ação social como a bolsa de estudo ou o benefício anual de transporte.

A premissa da lista – “dos alunos para os alunos” concretiza-se, assim, na ideia de que “as ideias e as soluções discutem-se, os direitos defendem-se”.