Da Família Superstar (2007) ao All Together Now (2021), Filipa Azevedo foi preenchendo o panorama televisivo português. Apesar do (in)suficiente sucesso, o poder da voz da artista é inegável. Este sábado, 31 de julho, é o seu aniversário. Sendo assim, resta-nos recordar o seu percurso artístico.

Natural do Porto, Filipa Daniela Azevedo de Magalhães venceu o programa Família Superstar, em 2007. O programa da SIC, que pretendia encontrar “a família mais talentosa do país, na área musical”, deparou-se com a interpretação de “Listen” de Beyoncé Knowles de uma jovem com apenas 16 anos.

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Segundo Clara de Sousa, jurada do concurso, Filipa Azevedo era uma “barragem que precisava de abrir comportas”. Sérgio Rosado, dos Anjos, não conseguiu conter as emoções, afirmando que já não ouvia uma voz como a sua há muito tempo. Apesar da performance da mãe não ter surpreendido os jurados, a verdade é que a dupla passou à próxima fase. Por entre risos, a jornalista portuguesa afirmou que, daqui para a frente, apenas restava escrever a música “I made the angels cry”.

A temporada de Filipa Azevedo no programa trouxe ao público português covers de “My Immortal” da banda americana Evanescence, “Like a Prayer” de Madonna, de “Goldfinger” e “Goldeneye“, temas do filme de James Bond, de “Bridge Over Troubled Water” da dupla de folk Simon & Garfunkel, de “When you believe” de Whitney Houston e Mariah Carey, de “A Moment Like This” de Kelly Clarkson e, por fim, de “Endless Love” de Lionel Richie e Diana Ross.

O ano seguinte ficou marcado pela presença de Filipa Azevedo em vários programas televisivos e concertos de norte a sul do país. Na altura, a cantora já havia lançado o seu primeiro single, “Só eu sei“. A composição é bastante distante daquilo a que a artista nos habituou. No entanto, tem de ser ouvida à luz dos seus tempos. Durante cerca de três minutos e meio, Filipa Azevedo fala-nos sobre o amor: “Só eu sei / Como fico por dentro quando penso em ti / Só eu sei / O efeito é mais forte do que eu previ / Eu não sei / Que magia usaste para eu ficar assim”.

No mesmo ano, participou no álbum O Melhor do Mundo, juntamente com Catarina Pereira. Este disco consistiu num desafio lançado a alguns autores e intérpretes para comporem sobre o tema da infância, os fundos angariados reverteram para instituições de apoio a essa mesma faixa etária. A composição de Filipa Azevedo e Catarina Pereira corresponde a “Carrossel de Papel”, uma música sobre a imaginação – “Vamos no meu carrossel / Fazer do sonho a realidade / No teu mundo de papel / Podes pintar a felicidade”.

Já em 2009, a artista lança o seu primeiro e único álbum. Sob o nome Filipa Azevedo, este é composto por 11 temas “bastante diferentes uns dos outros, deixando-nos transportar para vários estilos musicais, sentindo dentro de si as diferentes emoções inerentes a cada estilo e a cada forma de estar na música”. Para os mais curiosos, deixo apenas uma pitada da composição que fez parte da banda sonora da novela Meu Amor da TVI, “Apenas Diferente” – “Eu não sou melhor nem pior que tu / Sou apenas diferente /  Vou fazer de tudo para não ser / Igual a toda a gente / Não querer ver o mal / Sem olhar diferente / Não quero ser igual / Apenas diferente”.

De seguida, Filipa Azevedo decide abandonar Portugal. Ao abrigo de Londres, passa a estudar tecnologia da música e produção musical. Em 2010, participa no Festival da Canção, onde é escolhida para representar Portugal no Festival Eurovisão da Canção. Em direto do Campo Pequeno, a artista concorreu contra intérpretes como Filipa Galvão Telles (“O Amor Não Sabe”), a Banda Trocopasso (“O Mundo de Pernas para o Ar”) e Jorge Guerreiro (“Ai Lisboa”). Filipa Azevedo apresentou “Há Dias Assim“, da autoria de Augusto Madureira.

Em Oslo, na primeira semifinal, Filipa Azevedo conquistou 89 pontos, que lhe garantiram o 4º lugar e a desejada passagem na Grande Final. No entanto, na etapa decisiva, Filipa Azevedo somou apenas 43 pontos, ficando em 18.º lugar. No ano seguinte, o single foi incluído na colectânea Festival da Canção – As Músicas Originais. Para além disso, fez parte da banda sonora da novela Rosa Fogo da SIC.

Cinco anos mais tarde, Filipa Azevedo regressa aos programas de talentos, em específico à terceira edição do concurso The Voice Portugal. Quando questionada sobre a sua paragem no formato, a artista explicou que, mesmo após as experiências passadas, “não tive muita sorte, por isso decidi regressar”.

Durante as provas cegas, Filipa Azevedo apresentou a sua interpretação de “At Last” de Etta James. Todos os jurados viraram a cadeira e fizeram de tudo para a terem nas suas equipas. Mickael Carreira usou a cartada de ter sido o primeiro a carregar no botão – “sempre dei muito valor às pessoas que acreditaram em mim desde o primeiro minuto” -, Aurea subiu aos palcos para fazer um dueto com a concorrente. No entanto, foi a “Única Mulher” de Anselmo Ralph que conquistou Filipa Azevedo.

Em 2016, a artista juntou-se a Darko em “September Issue”, uma música sobre “desencontros entre o orgulho e o perdão”. Além da música, ao longo dos anos, Filipa Azevedo foi tendo algumas participações teatrais. Segundo as suas redes sociais, em 2018, fez parte do espetáculo “O Feiticeiro de OZ”, junto da associação cultural CRI’ART. Em 2020, participou no espectáculo “Revolução por Amor” (direção vocal e membro integrante da banda), dinamizado pela companhia de teatro Play Company. Para além de começar a dar aulas online de canto, embarcou no programa All Together Now, enquanto jurada.

A evolução de Filipa Azevedo é incontestável. Desde o programa Família Superstar, efetivamente, a artista transformou-se numa barragem que abriu comportas. Infelizmente, o panorama nacional não aparenta dar-lhe o devido valor. Sendo assim, enquanto esperamos por novidades da cantora, resta-nos desejar-lhe um feliz aniversário.