Atualmente mais conhecido como Xô Bítor, Renato Godinho faz parte da paisagem televisiva nacional há 25 anos. Das telenovelas e telefilmes às séries nacionais, o ator esconde-se, muitas vezes, atrás do microfone. No entanto, o seu contributo artístico é inegável. Este sábado, dia 10 de julho, completa 40 anos. Desta forma, resta-nos rever o seu percurso profissional.
Concluiu o curso de teatro na Escola Profissional de Teatro de Cascais (1997-2000) e, desde então, preencheu o panorama televisivo português. Além das suas participações em inúmeras telenovelas e séries nacionais, Renato Godinho fez parte de algumas produções cinematográficas e é já um ator catedrático nas dobragens.
O percurso televisivo de Renato Godinho iniciou-se com a série Médico de Família (1999), onde interpretou o papel de Zé Maria. No entanto, a proximidade com enredos que abordam a área da medicina não ficou por aí. Quer em Alma e Coração (2018-2019), quer em Terra Brava (2019-2020), representou o papel de médico. Em tom de brincadeira, assume-se já como um especialista no ramo. “Já estou especialista em medicina. Portanto, se precisarem de uma consultinha… é tranquilo. Fazia lipoaspirações, cheguei a coser pele de porco, portanto agora já faço diagnósticos de borla”.
Após Médico de Família, seguiu-se A Minha Família É uma Animação (2001) e Bons Vizinhos (2002). A partir de 2006, iniciou o seu trajeto nas telenovelas nacionais com Tu e Eu, enquanto Marco Maravilhas. Em 2008, abalroou os projetos nacionais, participando na telenovela Fascínios, as séries Casos de Vida – Pecados em Família e Refém do Passado – e, por fim, deu vida a Joca em Feitiço de Amor. Para quem não se recorda, Joca era um criminoso, cujo objetivo era fazer a vida negra às restantes personagens.
Depois da telenovela Sentimentos (2009), em 2011, Renato Godinho embarcou em três novos projetos, nas telenovelas Remédio Santo e Anjo Meu e no telefilme Regra de Três. Da autoria de Eduardo Gaspar e com a realização de Nuno Franco, Regra de Três conta a história de um homem “que mantém um relacionamento bígamo com duas mulheres”. Por entre a confusão das histórias que cria para cada uma delas, recorre à ajuda de seu primo, Pedro (Renato Godinho), que lhe sugere “que faça uma tabela, com uma precisão matemática, dos gostos e maneira de ser de cada uma das mulheres”.
Segue-se a versão portuguesa de Dancing Days (2012) e a participação no telefilme Ein Sommer in Portugal (2013). Com a realização de Michael Keusch, a produção insere-se na série “Um verão em…” da emissora televisiva alemã Zweites Deutsches Fernsehen. Desde 2014, que a sua estadia nos canais televisivos nacionais não cessou. Do seu percurso, destaca-se o seu papel em Espelho d’Água (2017), no qual ficou indicado para Melhor Ator Principal em Televisão, na 4ª Edição dos Prémios Áquila. Para além disso, sublinha-se a sua participação em Terra Brava (2019-2020), onde Renato Godinho se junta a Maria João Luís para antagonizar a telenovela.
Por fim, o prémio vai para a sua performance em Amor, Amor (2020-2021). Vítor, o antigo comandante do quartel de bombeiros, junta-se a Rebeca (Luciana Abreu) e ao seu filho para formarem uma banda, a Bolinhos de Amor. Apesar do sucesso, Rebeca estraga tudo e Vítor decide abandonar o grupo e candidatar-se a Presidente da Câmara. O par romântico marca os telespectadores portugueses pelas suas cenas cómicas.
Relativamente ao seu Xô Bítor, Renato Godinho afirma que foi surpreendente como a personagem tomou conta de si. Revela que “não estava à espera de ter um envolvimento tão grande com uma personagem de composição e foi marcante. Normalmente são as personagens mais dramáticas, mais densas, que depois custam mais a sair. Estou com uma relação com ele de amor enorme. Acho que ele é um gajo irresistível!”.
A nível de teatro, Renato Godinho fez parte do elenco de mais de 20 produções, entre 1996 e 2020. Relativamente ao mundo cinematográfico, o ator estreou-se na longa-metragem Os Gatos Não Têm Vertigens (2013), de António-Pedro Vasconcelos. Além disso, passou pela produção Sei Lá (2013), de Joaquim Leitão e pela curta-metragem Contactos 2.0, de Bernardo Gomes de Almeida. No entanto, apesar de poderem não reconhecer a sua voz, Renato Godinho preenche o mundo das dobragens.
Tudo começou com a sua interpretação de Doug Funnie em Doug: O Primeiro Filme (1999). Logo após, deu voz a Milo em Atlântida – O Continente Perdido (2001), a Síndrome em The Incredibles: Os Super-Heróis (2004), ao hipopótamo Eze em Selvagem (2006) e a Riven em Winx Club: O Segredo do Reino Perdido (2007). Por entre a continuação das sagas, mais recentemente, foi o porta-voz de Creek, em Trolls (2016), e de Gomez Addams, em A Família Addams (2019). A nível de séries, fez ainda de Ron Stoppable em Kim Possible e de Dave em Dave, o Bárbaro, por exemplo.
Além de ator, Renato Godinho é encenador. O sonho da encenação ficou marcado pelo Projeto Novos Atores, do qual começou a fazer parte em 2008. Através das suas redes sociais, afirmou que será uma experiência que nunca esquecerá. A iniciativa “marcou a minha primeira aventura na encenação, bem como o início de carreira para alguns jovens atores com quem tive o prazer de partilhar o palco. Nunca vou esquecer este dia. Nunca vou esquecer os “meus” meninos que cravaram marca funda no meu coração”.
Na verdade, foi através deste projeto que descobriu o talento de Sara Matos. Em entrevista, recorda que, todos os anos, pegava nos alunos que acabavam o curso da Escola Profissional de Teatro de Cascais e escolhia aqueles que achava serem os melhores. “A Sara foi a primeira atriz do primeiro elenco que selecionei no Teatro Experimental de Cascais”, afirma. Mais tarde, em Vidas Opostas, teve o prazer de contracenar com a atriz.
Quer seja atrás de um microfone ou nas telas nacionais, Renato Godinho tem vindo a conquistar a atenção dos telespectadores portugueses. No entanto, o início do seu trabalho remonta há 25 anos. Com mais de metade de anos de experiência do que a sua idade, resta-nos, hoje, desejar ao quarentão português um feliz aniversário.






