The Education of Fredrick Fitzell estreou nas plataformas digitais em junho. A longa-metragem apresenta a vida de Fredrick Fitzell, através de sucessivos recuos e avanços no tempo, a partir de um simples mistério. Apesar de ter um mote simples, o filme submete o espectador a uma narrativa intensa e estranhamente imersiva.

Fredrick Fitzell (Dylan O’Brien) tem uma vida, uma esposa, uma casa e um novo trabalho. Naquela que é a rotina básica da personagem, começam a surgir flashbacks. No entanto, estas memórias, que parecem roubar o presente e levar, tanto o espectador como Fred, para o passado, são mais do que simples desvaneios, são fortes transposições no tempo. Os flashbacks começam por levar o protagonista para momentos da sua adolescência e, mais tarde, remetem-no para Cindy (Maika Monroe), uma antiga colega de escola. Consequentemente, quando a jovem não abandona mais a mente de Fredrick, o rapaz passa a ter como objetivo de vida encontrá-la. Aquilo que parece ser uma aventura simples, desenrola-se numa viagem entre o mundo real, o mundo das drogas e aquele que parece ser possuído por uma realidade totalmente macabra.

Dylan O’Brien parece nunca abandonar os seus tiques performativos e o espectador consegue ver todas as suas personagens na mesma. Em Fredrick Fitzell encontramos Thomas, do filme Maze Runner – Correr ou Morrer (2014), mas também vemos Mitch Rapp, da longa-metragem Assassino Americano (2017). A pouca versatilidade do ator pode ser má para uns, mas a familiaridade pode ser bem vinda para outros. A par disto, Dylan O’Brien consegue oferecer claramente toda a confusão e terror que seria de esperar do filme. O mesmo acontece com Maika Monroe, que assume Cindy na perfeição.

Em The Education of Fredrick Fitzell é de sublinhar os jogos de luzes, de cenários e cores. Para que o espectador sucumbisse a toda a confusão desencadeada pelos flashbacks, eram necessários poderosos elementos. As cores fortes inundam os cenários mais psicadélicos e os tons claros dão luz à vida habitual. Adicionalmente, os cenários mais subtis andam de mãos dadas com o presente da narrativa e os mais carregados entrelaçam-se com o imaginário e com o passado. Além destes elementos, também as transições ajudam a encadear aquilo que parece ser um redemoinho de saltos no tempo.

É de louvar tudo aquilo que contribui para relacionar toda a narrativa, como os elementos apontados anteriormente. Contudo, e mesmo assim, a obra cinematográfica acaba por perder a atenção do espectador, quando este deixa de perceber completamente aquilo que está a ver. Apesar de tudo fazer sentido à primeira vista, o enredo acaba por dar origem a algumas questões que ficam por esclarecer. Isto acontece, porque a narrativa não pode ser linearmente compreendida. Além disso, os acontecimentos não são dados de ânimo leve e exigem um raciocínio para os desvendar.

Em conclusão, The Education of Fredrick Fitzell tinha tudo para dar certo. No entanto, os eventos transmitidos são ligeiramente caóticos e arrojados, o que nem sempre é uma mais-valia. A aposta nas luzes e cores dá ao filme um ponto positivo, mas a narrativa pouco elucidativa torna-o numa longa-metragem pouco apelativa.