Lançado a 11 de junho de 2021, Troubled Paradise surge como álbum de estreia da cantora norte americana Slayyyter. Com uma estética menos inspirada pela cultura pop dos anos 2000, algo que marcou o seu primeiro projeto, o disco é constituído por um mix de novas influências musicais e composições emotivas.

Após o lançamento de alguns singles em 2019 e o sucesso que algumas canções foram alcançando na rede social Tik Tok, Catherine Garner, conhecida pelo nome artístico Slayyyter, divulgou a mixtape de estreia em setembro do mesmo ano. Este primeiro trabalho foi bastante elogiado pelos críticos musicais, que teceram comentários positivos ao conteúdo lírico e à performance vocal. Agora, dois anos depois, a artista dá-nos a conhecer o primeiro disco, o qual lembra um pouco composições de Britney Spears ou de Lady Gaga.

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A produção de Troubled Paradise remonta à época da Mini Tour, um conjunto de espetáculos locais realizados por Slayyyter em 2019. Foi através da sua conta Twitter que a cantora foi dando pistas aos fãs do que estaria para vir, até que, em março de 2020, revelou estar a trabalhar no seu tão aguardado álbum de estreia. Relativamente ao título do disco, a artista contou que, durante o processo de composição do mesmo, não se encontrava bem a nível de saúde mental. Contudo, acabou por contornar a situação e se afastar daquilo que considerava causar-lhe problemas, tal como o elevado consumo de bebidas alcoólicas e as constantes saídas à noite. Tudo isto levou ao nome Troubled Paradise, o que simboliza o surgimento de problemas quando, aparentemente, tudo está bem.

O single que abre portas a este “paraíso conturbado” de Slayyyter é “Self Destruct”. As batidas de tambor e sintetizadores conferem uma atmosfera horripilante à faixa, enquanto o refrão é agressivo e audaz (“I will fuckin’kill you if you try to talk to me/ Test me, I’ll burn you up to the third fucking degree”). Segue-se “Venom”, cuja sonoridade e letra são semelhantes à da composição anterior. Sem perder o fôlego uma única vez, Slayyyter canta cada verso de forma enérgica e acelerada, acompanhada de um instrumental híper-pop arrebatador. Ainda no registo dos ritmos agitados e da lírica ousada encontra-se “Throatzillaaa”, um tema de natureza sexual e “Dog House”, uma canção sólida, mas desnecessária dadas as grandes semelhanças às faixas anteriores.

Contudo, a artista também demonstra o seu lado mais subtil neste ambicioso projeto. A canção “Butterflies” constitui-se como uma espécie de ponte que faz a transição entre os temas pesados e os mais suaves. Inserem-se, também, neste último grupo, as faixas “Troubled Paradise”, “Clouds” e “Cowboys”. No início do disco, Slayyyter constrói uma narrativa na qual reforça a sua imagem de mulher indisciplinada e provocante, mas estas três composições recordam, tal como a cantora afirma em “Troubled Paradise”, que ela também tem sentimentos (“It’s a joke to you/ I got feelings too”). Aliás, este último tema é o mais bem conseguido do álbum, mostrando um novo lado da personalidade da artista e abrindo espaço para uma exploração artística diferente e inovadora.

“Letters” encerra o álbum de forma astuta e eficaz. Trata-se de uma escolha inteligente para terminar o trabalho, uma vez que a faixa atribui ênfase ao lado mais humano e sincero de Slayyter, deixando a dúvida no ar relativamente ao que a artista fará num futuro próximo.

O álbum pode não ser genial, mas a sua temática ao redor da pressão e tentações com que vários artistas se deparam ao longo das suas carreiras tornam-no numa aposta interessante enquanto disco de estreia da jovem cantora. São várias as faixas que se encaixariam na perfeição num ambiente enérgico de discoteca, algo que, claramente, não é possível nos tempos que correm. Contudo, os ouvintes podem dar-se ao luxo de serem transportados para a pista de dança sem sequer saírem de casa, ao mesmo tempo que assistem à reinvenção de uma artista desde o seu último projeto para este.

O único ponto negativo do álbum é a grande similaridade entre as primeiras faixas, o que tornam a parte inicial do disco um tanto aborrecida. É importante ter em conta que estamos perante o primeiro trabalho completo de Slayyyter e que a artista tem, com certeza, um potencial que vai para lá do que foi depositado neste projeto.