A banda bracarense Wave Flow estreou o terceiro álbum de carreira “Freak Out”, no auditório do Centro de Juventude de Braga, no dia 5 de junho. Inspirados pelos grandes nomes do Rock, Wave Flow é uma banda com um toque melancólico, mas poderoso e crítico. Em 2017, lançaram o álbum “Big Bang” e no ano seguinte o “Electric Breath”. O ComUM esteve à conversa com os músicos para conhecer melhor a banda e o novo disco.

ComUM: De onde surgiu a vontade para formar os Wave Flow?

Zé: Este projeto surgiu há 4 anos como uma ideia minha. Já tinha alguns projetos em acústico mas era um sonho ter uma banda rock e enveredar por esse caminho. Entre os projetos acústicos que comecei a fazer ,o Quim juntou-se entretanto a nós (a mim e ao nosso antigo baixista, o Esteves).

ComUM: Têm história por detrás do vosso nome ou foi algo que simplesmente aconteceu?

Zé: Meio meio. É algo engraçado mas não tem nada a haver com música. Surgiu na altura em que foi comprovada a Teoria do Einstein acerca das ondas gravitacionais e quis fazer essa ligação às ondas sonoras. Na altura estava muito entusiasmado com esta ideia por isso decidi juntar uma coisa à outra.

ComUM: Quais as vossas maiores inspirações?

Zé: Sem dúvida que o Rock dos anos 90, Grunge, Nirvana é o que mais me prende e influencia

Quim: Eu sou mais virado para os anos 80 principalmente, mas também os anos 60 e 70 me agradam. Gosto dos Metallica, The Doors, por aí.

Miguel: No meu caso, os Pink Floyd, sem dúvida. É o que mais me caracteriza.

ComUM: Como é que a pandemia afetou o vosso processo criativo?

Zé: Apesar da ideia tão negativa que a pandemia trouxe foi também bastante positiva e ajudou-nos a estar totalmente focados dentro da sala até vomitarmos as músicas de trás para a frente (risos). Trabalhamos mesmo muito mais, já que tínhamos mais tempo para isso. Foi bom.

ComUM: O que sentiram com o lançamento do 3º álbum?

Zé: É uma sensação muito boa mesmo, é um orgulho para nós. Apesar de ser rock, que bem sabemos como está no mercado, temos tido uma boa adesão, por isso tem sido possível continuarmos com o nosso sonho. Continuamos a trabalhar e batalhar e estamos mesmo orgulhosos. É como um filho, já que há todo um processo de gestação, crescimento, desenvolvimento e depois, claro, o tão esperado nascimento. Neste caso, é já o nosso terceiro filho.

Quim: Sim e também já conseguimos transmitir melhor o que realmente queremos. Apesar de tudo já não é o primeiro, já temos mais experiência e sabemos o que devemos ou não repetir. É um álbum muito mais maduro, trabalhado e com bastantes pormenores e até é engraçado esta entrevista já que faz hoje exatamente um ano desde que o iniciámos. Ah e não nos podemos esquecer ainda que foi neste álbum que o Miguel se estreou connosco e veio dar muita ajuda mesmo. Estávamos a precisar de um guitarrista à séria.

Miguel: Exato foi o primeiro que gravei com eles. Foi um bocado chato (risos).

Quim: Mas sem dúvida que todo o processo de um álbum é gratificante, é uma experiência incrível num ambiente fantástico apesar da parte das gravações, claro, ser sempre mais stressante por mais que gostemos do que estamos a fazer. Há prazos a cumprir e isso é mais limitante, mas tínhamos muitos mais recursos agora, o que foi super positivo.

ComUM: O vosso tema “My Friend” fala sobre perda e saudade. Querem falar um pouco sobre a história que está por detrás do mesmo? Penso que terá ligação com a perda do vosso membro e baixista Esteves, certo?

Zé: Nunca falamos muito sobre isso pois é um tema muito sensível, mas faz sentido fazê-lo neste momento. Quando começamos a trabalhar neste álbum o nosso baixista, o Esteves, ainda estava connosco, por isso a música ainda nem existia. Na verdade, foi a última música a ser composta e foi mesmo feita de maneira a descarregar o que sentia. Nem a tinha feito para ser “a música” entendes? Mas depois começou a fazer sentido e transformou-se no que é hoje graças a estes dois que fizeram magia.

Quim: Sim, para nós esta música foi uma homenagem…

Zé: É isso mesmo. Por muito estranho que nos sintamos ao dizê-lo, é uma homenagem. Somos músicos e temos de descarregar o que sentimos. Foi uma decisão consciente porque faz sentido, faz parte da nossa história. Deu-nos força continuarmos a tocar e mantermos o que tínhamos com ele na música.

ComUM: Qual é o vosso maior objetivo?

Quim: Chegar o mais alto possível acho que é a base de tudo.

Zé: Sim, é isso mesmo. Não há nada em concreto, é sempre passo a passo. Se a banda acabasse agora tínhamos passado 4 anos incríveis por isso é mesmo ir com a corrente.

ComUM: Qual o próximo passo?

Quim: O objetivo agora é tocar o álbum para o maior número possível de pessoas e nos mais distintos espaços, mas isso agora não é possível por causa das restrições, por isso, vamo-nos focando em fazer mais e mais música. Para teres uma noção, já temos umas 17 músicas no forno, mas isto porque o Zé não pára e o Miguel tem muito jeito para riffs. Mas sim, queremos tocar ao máximo este álbum, esse é o próximo passo. Não faz sentido termos este projeto para não o tocarmos vezes e vezes, certo?

ComUM: Como se descrevem numa palavra?

Wave Flow: Sinceramente nunca pensamos nisso, mas porque não “explosivos”? (risos)