A maior drag queen do planeta está de volta com mais um projeto. Batidão Tropical é o quarto álbum de Vittar e chegou dia 24 de junho.

Depois do 111 (2020), um trabalho extremamente influenciado por ondas internacionais, a “queen” do Brasil vira-se agora para um som mais nacional. O projeto do ano passado é cantado em português, inglês e espanhol, com imensas parcerias de vários países. No entanto, desta vez, ouvimos Pabllo completamente sozinha e apenas em português do Brasil.

billboard.com

Abrindo com o primeiro single, “Ama Sofre Chora”, é apresentado o tema principal do álbum, ou seja, um amor inevitavelmente perdido. Apesar de Pabllo se sentir uma pessoa livre, com vontade de se divertir independentemente do seu estado de relação, manifesta um sentimento forte por alguém. Este “alguém” acaba por não corresponder os pensamentos dela e isto parte o coração da drag. “Seu cheiro não sai do meu edredom, se você não quiser me assumir, eu vou cantar pra todo mundo ouvir” e, como prometido é devido, aqui estamos nós a ouvir.

O segundo single do álbum é “Triste com T”. Depois da desilusão referida na canção anterior, Pabllo Vittar é deixada inconsolável, mas com grande libido. O ritmo é contagiante e a letra é simplesmente inesquecível.

Singles à parte, os destaques vão principalmente para “A Lua”, “Apaixonada” e “Zap Zum”. Na primeira, ouvimos a voz da cantora como nunca antes. Na primeira audição pensamos “será que ela vai chegar lá?” E ela chega. Na segunda faixa, há um ritmo único e simultaneamente nostálgico. Aliás, todo o álbum tem essa energia nostálgica que remete ao início do milénio.

“Zap Zum” é o hit inesperado deste projeto. Não sendo promovido de forma especial e não tendo nenhum videoclipe, a música foi tão bem recebida em termos comerciais que foi referida durante dos Jogos Olímpicos por comentadores brasileiros. Uma temática extraterrestre, Pabllo embarca numa aventura espacial onde procura o seu amor verdadeiro- “Zap zum, zum, zum! No cometa eu vou, nem que seja de carona, pra te dar amor, sentir teu calor”.

Se é verdade que estas são os destaques, também é verdade que as restantes não ficam muito atrás. O “Batidão Tropical” tem apenas nove músicas e dura cerca de 23 minutos. Os estilos eletrobrega e forró eletrónico juntam elementos sintéticos e momentos de música tradicional brasileira. Junta-se a isto o estilo único de Pabllo e temos uma obra de arte.

“Bang Bang” é especial dentro do álbum já que aborda este som de uma forma inesperada. A faixa fecha o projeto com elementos que remetem para os clássicos filmes de cowboys, westerns. Sons de armas e cavalos levam-nos ao faroeste americano, cavalgando combatendo os trapaceiros e salvando o dia. Já “Ultrasom” é a música ultra-eletrónica que sempre se encontra nos álbuns de Vittar. À semelhança de “Nêga”, em Vai Passar Mal (2017), ou “Rajadão”, no 111 (2020), apresenta um ritmo ligeiramente destoado das restantes, mas acaba por se enquadrar com outros elementos, por exemplo, o tema, ou determinados sons.

A forma como a cantora consegue dizer tudo de uma maneira quase pervertida, mas leve, é de louvar. Todos percebemos que ela entende a ironia de tudo o que a rodeia. É a mistura de todos estes elementos que torna Batidão Tropical um dos melhores álbuns do ano. Um jogo interessante seria beber um shot sempre que Pabllo Vittar diz o seu nome neste álbum. E todas as formas valem a pena.