M. Night Shyamalan, realizador cujas obras são conhecidas por dividirem opiniões, oferece-nos o seu mais recente projeto, Presos no Tempo. Esta longa-metragem de mistério e suspense é tão mal-executada que chega a confundir-se com uma comédia barata.

Uma família ganha um pack de férias num resort paradisíaco. É-lhes aconselhada uma praia lindíssima. No entanto, o tempo parece passar assustadoramente rápido. Desta forma, apresenta-se uma premissa bastante promissora. Contudo, Presos no Tempo mostra-nos que uma boa ideia não faz um bom filme (principalmente, quando tudo o resto falha).

Primeiro, o argumento é um dos aspetos primários a descambar. Para além do casal Cappa e dos seus dois filhos, temos outras personagens presas nesta ilha misteriosa. A falta de motivações, de contextos interessantes e de traços de personalidade realistas fazem com que todas as restantes personagens sejam irrelevantes e muito facilmente olvidáveis. Aliás, a própria família é pouco explorada e sabemos de um ou outro assunto (que até lhes poderia acrescentar profundidade), através de cenas bastante risíveis.

A par das personagens desinteressantes, é-nos oferecido um conceito explorado de forma desleixada. Entre violência despropositada e, a certo momento, mortes mais que expectáveis, reviravoltas de deixar a boca aberta (no mau sentido) e uma situação potencialmente problemática, ainda estava capaz de deixar o benefício da dúvida. Contudo, quando um filme “tropeça” no seu próprio conceito, se não o consegue levar a cabo sem incorrer em incoerências, algo de grave se passa.

A performance dos atores é, talvez, o único tópico que permite simpatias. Quando os diálogos são vagos e irrealistas, é fácil de reconhecer que não há margem para performances dignas de Óscares. Mais uma vez ingenuamente, ainda seria capaz de desculpar alguns destes aspetos. Não fosse ouvir a plateia no cinema a corrigir a construção frásica dos diálogos. Os atores, no meio de tudo isto, ainda conseguem ter um ou outro momento mais interessante.

No meio de tanto desastre (e já a sentir-me mal por tanto criticar), o trabalho de câmara também não permite salvar o filme. Confesso que há alguns planos bem concretizados e que foram escolhas inteligentes, mas sem qualquer consistência. No meio destes bons planos temos, por exemplo, alguns dos momentos que ambicionavam induzir tensão, mas que só cumpriam em dar dor de cabeça com tantos cortes desnecessários.

No final de tudo (e não vou sequer falar do final da estória), só consigo dar crédito ao filme se, afinal, tudo se tratar de um trocadilho de mau gosto sobre como os espectadores ficaram “Presos no Tempo” nestas duas horas mais longas de sempre. Mas mesmo que a intenção seja essa, não recomendo.