Any Shape You Take, saiu a 27 de agosto e estabelece, cada vez mais, não só a qualidade musical da cantora Indigo De Souza, como também o seu inovador estilo indie punk e pop grunge. A cantora norte-americana relata-nos, neste álbum enriquecido com instrumentais cheios de bom rock e de estilo nas suas letras, o fim de uma relação amorosa.

Indigo De Souza é, de facto, uma artista extraordinária. Por sugestão da sua querida mãe, começou a tocar guitarra ainda em criança. Por volta dos 11 anos começou a escrever as suas primeiras músicas e, muito provavelmente, as adversidades que foram surgindo ao longo da sua vida trataram do resto. O álbum de estreia de De Souza, “I Love My Mom”, escrito, essencialmente, durante a sua adolescência estabeleceu, desde logo, um estilo musical muito próprio. Para além da grande facilidade em escrever letras simples, mas esclarecedoras, a artista aborda temas como o amor, a família, a solidão e a dor.

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Este novo projeto, embora incida sobretudo no relato do fim de uma relação amorosa, não foge em nada ao trabalho anterior de De Souza. Aliás, só vem aprimorar este novo e deslumbrante estilo de fazer música rock. O álbum começa tranquilamente com “17”, uma faixa que, através da utilização de auto-tune e de alguns sons sintetizados, ganha uma sonoridade indie muito interessante. Nesse mesmo registo calmo eindie temos, também, “Pretty Prictures” e “Late Night Crawler”. Duas músicas muito elegantes, embora de maneiras distintas.  A primeira, uma magnífica música concebida numa cativante progressão de acordes na guitarra acústica. Já a segunda, uma faixa onde a cantora compõe, num flow pop, uma brilhante letra que combina de forma excelente com a batida indie rock.

Contudo, o projeto viaja também por sonoridades mais distorcidas, como em “Darker Than Death”, “Bad Dream” ou até mesmo em “Real Pain” – faixa onde De Souza aproveita para tentar exprimir o sentimento de dor, através de múltiplas vozes e gritos cheios de distorções pelo meio. Com a mesma sonoridade distorcida, muito típica do estilo grunge, aparece “Die/Cry” um tema que acaba por desabafar “I rather die before you cry”, entre outros sentimentos da cantora em relação ao seu parceiro.

O single “Kill Me” aparece no fim. Podemos concordar que o álbum não podia acabar de melhor maneira. “Kill me slowly, take me with you / Down to the garden, where magnolias bloom” é uma das frases que mais marca esta faixa. A escrita de Indigo De Souza é poética, com conteúdo e soa maravilhosamente bem. O refrão enche-se de um rock enérgico e viajamos por entre os piores e os melhores sentimentos dentro de uma mesma música.

Como já referi, a escrita de Indigo De Souza é fascinante e é um dos elementos que confere a excelência que o álbum possui. Os temas são abordados de uma maneira simples e singular e, tanto as sonoridades mais indie/pop como as sonoridades mais grunge/rock fazem sobressair de forma esplêndida a adorável voz de De Souza. Definitivamente uma artista a continuar a acompanhar.