Feliz Acaso é um filme de Peter Chelsom, que estreou em 2001 no Festival Internacional de Cinema de Toronto. A comédia romântica de Chelsom foi a primeira obra lucrativa do realizador, uma vez que as anteriores foram muito criticadas pela má produção.

Esta obra cinematográfica conta como dois estranhos, numa noite de inverno próxima do Natal, se cruzam e mudam o destino da sua vida amorosa. Uma esperança terna e inocente de se reencontrarem acende-se e dita os acontecimentos que se vão desenrolando durante o filme. Um casamento e uma proposta de casamento são postos em jogo, numa tentativa de descobrirem se o amor é correspondido, muitos anos depois do seu encontro.

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Apesar de ser um tema bastante debatido, o destino é bem frisado no filme. A abordagem é criativa, uma vez que não é o típico cliché do “destino determinador”. Tomemos como exemplo, na história, Sara entrega “ao aleatório” o futuro da relação dela com Jonathan. Quando escreve o nome e o número dela no livro e vende o mesmo a um mercador ambulante, Sara espera que o destino leve o livro até Jonathan, o mesmo acontece com a nota de 5 dólares com a informação pessoal dele. Dessa forma, o que quer que possa acontecer entre eles será por mero acaso.

A intriga conta com John Cusack (Jonathan Trager) e Kate Beckinsale (Sara Thomas) como protagonistas. John e Kate conseguiram facilmente transmitir o objetivo do tema e trazer à audiência uma atmosfera de ternura. As personagens, mesmo não tendo sido bem exploradas em termos de personalidade e aspirações, mantiveram o clima apaixonado e jovem, que é esperado. Os atores tiveram uma boa performance no filme, apesar de este ter sido modificado devido às idades dos atores, no que toca ao intervalo de separação de sete anos que acontece no enredo. Feliz Acaso foi nomeado para um Saturn Award e dois Young Artists Awards.

Apesar de ser o primeiro filme lucrativo de Peter Chelsom, há uma série de erros facilmente identificáveis entre planos, o que pode ser confuso para muitos espectadores. Assim, estes erros encontram-se em momentos como uma cena  em que Sara está a segurar nas luvas e na cena seguinte elas já não se encontram à vista. Ou então, numa cena em que Jonathan está deitado no casaco de cabedal de Sara e posteriormente já só está uma luva. Tirando estes momentos, apesar de previsível, a intriga confere entretenimento a quem vê.

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Como maior parte das ações ocorrem na época natalícia, o ambiente audiovisual é bastante aconchegante e acolhedor. A playlist usada na longa-metragem é adequada e romântica, com artistas como Annie Lennox, John Mayer, Nick Drake e Shawn Colvin, entre outros.

Em suma, Feliz Acaso não é uma obra de arte, mas é um filme de romance adorável para os amantes do destino, como arma ditadora do amor. A produção da obra cinematográfica foi uma das afetadas pelo infortúnio do 11 de setembro, tendo as torres do World Trade Center sido apagadas, digitalmente, de qualquer plano sobre Nova Iorque.