Este ano, o Dia Mundial do Turismo foca-se no crescimento inclusivo.

O Dia Mundial do Turismo celebra-se, desde 1980, no dia 27 de setembro. ​Este dia promove a tomada de consciência sobre o valor social, cultural, político e económico do turismo e a contribuição desta atividade para o alcance dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

De acordo com as Nações Unidas, muitos milhões de pessoas em todo o mundo dependem do turismo como fonte de rendimento, especialmente mulheres e jovens. A Organização Mundial do Turismo (OMT) está a orientar o setor no sentido de uma recuperação e crescimento inclusivos e visa garantir que todo o setor tem uma palavra a dizer no seu futuro – incluindo as comunidades locais e as minorias.

O turismo é uma indústria-chave a nível mundial e, tendo-se difundido rapidamente nas últimas décadas, é uma atividade com uma crescente importância no desenvolvimento económico. Efetivamente, o estudo da problemática do desenvolvimento regional invoca, em muitos casos, o turismo como uma das atividades que revela um grande potencial para o promover. Assim, muitas economias apostam neste setor com o objetivo de estimular o crescimento económico.

As antigas tradições artesanais do país não são coisa do passado, uma vez que foi possível reinventá-las e utilizá-las no turismo atual. O turismo tem tido, nas últimas décadas, um papel bastante importante no desenvolvimento regional português, o que justifica a crescente aposta do poder local e nacional neste setor. Exemplo disso é a viola braguesa, que ressurgiu na década de 80 com a obra do músico Júlio Pereira e que tem ocupado um papel de relevo no panorama da música nacional e do turismo local. A filigrana de Viana do Castelo é outro dos exemplos da tradição minhota. Com o objetivo de “dourar” as mulheres da região, este género de ourivesaria tradicional tem ganho popularidade nas últimas décadas.

O lenço dos namorados ou lenço de pedido é uma das tradições com maior visibilidade da região minhota. Com origem no século XVIII, estes lenços eram, de acordo com a tradição, panos finos de linho ou de algodão bordados com motivos florais, símbolos amorosos (coração, pássaros a voar, chaves). Com mensagens em quadras num português arcaico, muitas vezes com erros ortográficos, os lenços eram uma evidência da falta de escolaridade das raparigas na altura.

Júlia Fernandes, vereadora da cultura da Câmara Municipal de Vila Verde*, declara que os lenços são “de certa forma, uma marca de emancipação feminina”. Isto porquê? “Porque eram as raparigas em idade jovem, “casadoiras” como dizia o povo, que começavam a confecionar os seus lenços”, diz Júlia Fernandes. A vereadora conta que as raparigas faziam os lenços nos seus tempos livres e ofereciam aos amados em momentos especiais – normalmente momentos de romaria, de encontro ou de danças.

“Tinha que ser em lugares mais públicos e mais populares que o lenço saía da mão da rapariga e ia parar à camisa branca de linho do seu amado. Era o comportamento dele, de levar ou não consigo o lenço, que marcava o início da história”. Portanto, caso o rapaz levasse o lenço consigo tornava-se um namoro assumido e público. “Ou seja, o lenço era de facto o assumir de um compromisso, de uma relação e, normalmente, tinha um final feliz”, destaca Júlia Fernandes. 

Júlia Fernandes refere ainda que há um número crescente de turistas a querer “conhecer a terra do lenço dos namorados e as bordadeiras a bordar ao vivo e até aprender com elas”. A marca cunhada pela Câmara Municipal com o objetivo de valorizar o lenço dos namorados designa-se por “Namorar Portugal” e tem parcerias com várias empresas de todo o país. Segundo a vereadora, esta iniciativa “é importante porque promove Vila Verde” e “o artesanato da localidade, fazendo uma ligação entre a tradição e a modernidade”. Desta forma, “o país fica a conhecer que Vila Verde tem o lenço dos namorados”, assegura a vereadora.

A Confederação do Turismo de Portugal (CTP) vai assinalar o dia com uma conferência dedicada ao tema “Retomar o Crescimento”, que se vai realizar em Coimbra, no Convento de São Francisco. O primeiro-ministro, António Costa, vai estar presente na sessão de abertura, às 15h00, e o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, na de encerramento. As presenças no evento estão limitadas ao espaço disponível decorrente do atual contexto de pandemia, sendo a conferência, todavia, transmitida online através do Vimeo, Facebook ou Youtube da CTP. Consulte o programa completo aqui.

*Declarações obtidas antes da divulgação dos resultados das Eleições Autárquicas de 2021.

Artigo por: Maria Carvalho e Joana Oliveira

Multimédia: Inês Batista