Blue Banisters, o novo álbum de Lana Del Rey, estreou dia 22 de outubro e já é um sucesso totalmente merecido. A artista manteve o seu género musical bastante característico, que se destaca pela voz singular. A junção das melodias, das letras e da voz de Lana, cria uma obra musical extremamente emotiva e que toca facilmente quem a ouve.

Este novo projeto é composto por um conjunto de 15 histórias pessoais, sobretudo ligadas ao romance. Trata-se de uma abertura sentimental por parte da artista, quase como se não houvesse ouvintes. Tudo isto ganha forma através de melodias criadas, principalmente, por um piano e um violino. As vozes que formam o coro ajudam a tornar o álbum ainda mais complexo. São os ritmos calmos, mas profundos, que transmitem tanta emoção.

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O exemplo perfeito das emoções fortes transmitidas é o tema “Beautiful”. Sente-se fortemente que a artista se entrega à música, pela complexidade musical criada através de um melódico piano. O instrumental surge aliado a uma letra repleta de vida. Vida essa que chega a quem ouve a música de forma instantânea, criando um leque de sensações.

“Black Bathing Suit” constitui outra música forte. Vai crescendo através do instrumental com o decorrer do tempo e ganha muito valor por este mesmo. Isto é, prende o ouvinte do início até ao fim, e vai decrescendo pormenorizadamente até acabar. Outro bom exemplo que se enquadra nesta descrição é “Dealer”, que expressa cada vez mais sofrimento com o avançar do tempo, destacado, neste caso, pela voz da própria cantora.

No grupo dos temas mais calmos, inserem-se aqueles que transmitem emoções de maneira mais subtil e sofisticada. “Arcadia”, metaforicamente inteligente, é baseado na música clássica, composta por uma orquestra. Neste caso, não é tanto a melodia que cresce, mas sim a letra, que se torna gradualmente mais intimista.

As músicas enquadram-se todas no mesmo género musical. Conseguem criar um padrão homogéneo. Assim, música após música, surge a sensação de se estar a completar um puzzle, coeso e com sentido. No entanto, isto não significa, de todo, que os temas se confundam ou sejam idênticos. Há pormenores realmente especiais em todas as faixas que as tornam singulares. Ao todo, formam uma obra de arte completa, coerente e muito diversificada. Tudo isto faz com que este regresso da autoproclamada “Nancy Sinatra gangster” seja um momento de audição agradável.

Blue Banisters funciona como uma carta escrita para alguém e é também isso que o torna tão especial. Este novo álbum de Lana del Rey veio acrescentar um grande contributo para a sua carreira, trazendo mais e melhor. Além de não desiludir, ainda tem a capacidade de surpreender. É certo que chegará às emoções de todos aqueles que o ouvirem, porque se trata de uma obra de arte única. Sem dúvida, um progresso na continuidade.